O caderno Folha Economia traz na edição de hoje mais uma notícia ruim, além do recorde do dólar: o aumento nos preços dos combustíveis, com o álcool sofrendo elevação que ultrapassa os 20% e a gasolina 5%. Ontem, em Londrina, o proprietário de veículo a álcool pagava até R$ 0,99 pelo litro do combustível em algumas bombas. E a gasolina, que podia ser comprada por R$ 1,70 o litro no início da semana, ontem já custava em alguns postos R$ 1,79.
Os revendedores só teriam repassado o reajuste cobrado pelas distribuidoras, segundo justificativa de empresários do setor. Na outra escala da cadeia produtiva, a culpa seria dos usineiros, que estariam subindo o preço do álcool semanalmente.
A verdade é que, na ponta desse processo, o elemento mais importante terá que absorver todo o impacto dos aumentos do álcool e da gasolina. O consumidor não faz parte dessa cadeia produtiva, mas a sustenta, tornando clara uma relação inegável: sem consumo, não há necessidade de produção.
E como se não bastasse, o consumidor, no próximo pulo até o supermercado, com certeza já estará pagando por repasses. Repasses, aliás, que até chegar a ele passaram por adequações, reajustes, manipulações e, enfim, mecanismos que sempre pesam nas costas de quem ocupa o último degrau dessa mecânica. Porque, neste País, o consumidor existe para pagar todas as contas.
Walter Ogama

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