Desde 3 de junho Londrina não sabe o que é chuva. Nos últimos dias, a umidade relativa do ar na cidade não passa dos 50%. A consequência do clima seco é o aumento no número de incêndios. Do início do ano até ontem, foram registrados 331 incêndios ambientais. Nos sete primeiros meses do ano passado, foram 285. A FOLHA ouviu o capitão do Corpo de Bombeiros em Londrina, Ricardo Jammes Teixeira, que avaliou as estatísticas e deu dicas de prevenção.

Foram 12 incêndios em residências em duas semanas, fora uma série de incêndios ambientais. Como o senhor avalia essa estatística?
Um dos motivos deste elevado número de ocorrências é a falta de chuva durante um grande período. Neste inverno, estamos há mais de 40 dias sem chuva, fator que somado à baixa umidade relativa do ar favorece o surgimento de focos em áreas ambientais. Quanto aos incêndios em residências, tivemos duas semanas atípicas. Não é comum acontecer isso, porque são ocorrências relacionadas à falha humana.

O clima seco dificulta o trabalho dos bombeiros?
Em alguns dias, os bombeiros têm ficado praticamente o turno todo apagando incêndios ambientais. Nos dez primeiros dias de julho, foram 51 ocorrências de incêndio ambiental, média de cinco por dia. Em junho, foram 82 ocorrências desse tipo, contra 28 em maio. É um número crescente de casos, principalmente em terrenos baldios. Os proprietários aproveitam que o mato está seco para colocar fogo e limpar o terreno. É errado, porque pode colocar outra propriedade em risco, além do desconforto que causa para os vizinhos com a fumaça. Muita gente liga pedindo para apagar o fogo em função da fumaça, mas a demanda é grande e não há condições de atender todos. Aí priorizamos aqueles que envolvem risco maior à propriedade e à saúde das pessoas.

Muitas casas têm instalações elétricas precárias. Os bombeiros fiscalizam isso?
Em casas de madeira, aumenta a chance de um aquecimento na rede elétrica quando o clima está seco. Muitas dessas casas não têm uma rede que suporta o grande número de equipamentos elétricos como computador, microondas, forno, geladeira, facilitando a ocorrência de um incêndio. Não tem como fiscalizar. O proprietário do imóvel deve procurar um profissional especializado para conferir se a rede elétrica está adequada, se suporta os aparelhos eletrônicos que tem em casa. Não está previsto em Lei nenhum tipo de multa ou punição para quem não mantenha a rede elétrica em boas condições, por isso cabe ao proprietário fazer a prevenção. Além de evitar ligar um grande número de aparelhos elétricos ao mesmo tempo, a recomendação é para não usar os benjamins, porque pode produzir sobrecarga e provocar um superaquecimento.

Alguns incêndios são causados por crianças. A responsabilidade é dos pais?
Crianças não têm consciência do risco que estão correndo ao mexer com fogo. Por isso é dever dos pais orientar, não deixar nada que possa produzir fogo perto dela, como fósforo, álcool e outros objetos inflamáveis.

Quais os principais cuidados para evitar incêndios neste período de seca, tanto dentro quanto fora de casa?
O principal é não fazer limpeza de terrenos baldios ou queimar lixo com fogo. Por menor que seja esta limpeza, pode ser que uma fagulha voe e provoque um incêndio de grandes proporções no terreno vizinho. Dentro de casa, a principal dica é prestar atenção nas crianças para que elas não cheguem perto de nada que produza fogo, além dos cuidados com a rede elétrica. Também é necessário ficar atento a vazamentos de gás. Felizmente, hoje as pessoas estão mais cuidadosas com relação ao gás, e os casos diminuíram bastante. Mas é muito importante fazer a precaução, verficar se a mangueira está dentro do prazo de validade, se ela não está cruzando o forno e deixá-la sempre próximo ao botijão.

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