Centenas de manifestantes em Arapongas externaram no último sábado o tamanho da indignação. A cidade relembrou a morte de jovem Marisol Lopes Machado, ocorrida há sete anos. Na época com 26 anos e grávida de oito meses da primeira filha, Marisol foi assassinada com uma facada no pescoço e outra nas costas.
Os suspeitos do crime - o marido e o irmão gêmeo dele - ficaram presos durante três anos, mas foram liberados há quatro. Cansados de esperar pelo julgamento, familiares e amigos da jovem pediram justiça.
As investigações na época levaram a Polícia a acreditar que o irmão do marido havia matado Marisol. O crime teria sido todo planejamento pelo próprio esposo em Portugal, que não teria tido êxito em uma tentativa de homicídio no país europeu. Haveria seguros de vida no nome da vítima no valor de R$ 700 mil.
O irmão chegou a ficar foragido durante oito meses. Ambos aguardam o julgamento em liberdade. ''A única coisa que pedimos é que eles paguem pelo que cometeram. Esse júri precisa ser marcado para que voltemos a acreditar na justiça dos homens. Hoje, eles têm uma vida normal e a gente não'', desabafou a irmã da vítima.
Outros casos povoam o imaginário coletivo do paranaense, especialmente pelo fato de ainda não terem sido desvendados, tampouco julgados.
A sensação de impunidade é combustível para novos crimes. Bandidos, sem medo de serem punidos, já não se refugiam na noite para cometerem barbáries. Atacam à luz do dia, com a cara limpa. Planejam com uma frieza impressionante. Enquanto isso, à sociedade cabe o medo.
É preciso reverter essa realidade. Polícias devem ser equipadas e treinadas para produzirem provas mais bem fundamentadas, evitando vácuos nas investigações.
Já a Justiça precisa combater a morosidade - no ano passado 1 milhão de processos deixou de ser julgados no País. Enquanto a sensação de impunidade perdurar, continuaremos reféns.

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