No último dia 28, participei de um debate sobre ‘‘Desemprego no Brasil e no Mundo’’, na rádio Clube Paranaense, juntamente com outras cinco pessoas, entre as quais o deputado Luiz Carlos Hauly, cuja participação foi por telefone. Pelas suas colocações, o dep. Hauly veio para este debate com um objetivo único: ‘‘malhar’’ o governador Jaime Lerner, ao invés de apresentar sugestões sobre o tema em debate. Como este deputado insistia na mesma tecla, a de apenas criticar o governo estadual, que não era objeto de discussão, sugeri, então, ao senhor Hauly debater o período em que ele foi secretário da Fazenda do Paraná (na gestão Álvaro Dias), em especial quanto aos recursos destinados à educação.
Por ter sido diretor-presidente da Fundepar no biênio 1988-89, sei muito bem o que foi feito com a educação estadual em termos de recursos provenientes do Tesouro Estadual. Afinal, basta citar apenas três dados.
Primeiro: ao assumir a Fundepar em fevereiro de 1988 o volume de recursos provenientes do Tesouro Estadual previstos para investimentos (obras e equipamentos) em educação naquele ano era zero. Por insistência dos dirigentes da Secretaria da Educação (SEED) e da Fundepar, a primeira (pequena) liberação de recursos do Tesouro Estadual só ocorreu no dia 26 de maio e mesmo assim foi um recurso carimbado, ou seja, com destino certo: era para a Escola Municipal Pedro Tkotv, que fica em Cambé, município onde o senhor Hauly tinha sido prefeito. Todos sabem que somente a Fundepar e a SEED é que têm a atribuição para decidir os destinos dos recursos financeiros para as escolas. No caso em apreço, a decisão foi da Secretaria da Fazenda (SEFA) e coincidentemente (!) o recurso se destinava para uma escola do município do senhor secretário.
Segundo: em 1987 o governo estadual destinou 80,7 vezes mais recursos para a comunicação social do que para investimento em educação (leiam-se obras e equipamentos).
Terceiro: somente nos dois primeiros anos em que o senhor Luiz Carlos Hauly esteve à frente da SEFA foi tirado indevidamente (pode-se dizer, desrespeitando uma lei federal) o valor equivalente a US$ 9.962 mil (ou seja, quase dez milhões de dólares), conforme será, em seguida, demonstrado.
Por eu ter levantado esses dados (verídicos), o senhor Hauly afirmou, por duas vezes durante o referido debate, que eu era mentiroso. Cabe ressaltar que fui forçado a assim proceder devido a sua insistência de apenas atacar o governo estadual, fugindo do debate sobre desemprego. Assim, decidi escrever o presente artigo, com o intuito de esclarecer a opinião pública paranaense e em especial os ouvintes daquela importante rádio.
Os dados que aqui serão expostos foram apresentados tanto ao senhor governador Álvaro Dias como ao senhor Luiz Carlos Hauly, em 1988, pois, na condição de dirigente da Fundepar, ficávamos indignados com o tratamento dado à educação do nosso Estado. Aliás, não foi por outra razão que os professores estaduais, por ocasião da última eleição, foram abertamente contra o senhor Álvaro Dias, candidato ao governo paranaense.

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