Termina hoje a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Durante mais de um mês, candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara Federal e às assembleias legislativas tentaram conquistar os eleitores por meio da apresentação de propostas e programas de governo e também atacando adversários. Instituído em 1965 pela lei 4.737, atualmente os brasileiros demonstram pouco interesse no horário eleitoral.
Pesquisas de medição da audiência apontam que, nos dois horários de exibição do dia, a quantidade de televisores ligados em canais abertos de televisão cai significativamente. Além disso, levantamento do Instituto Datafolha divulgado recentemente apontou que 46% do eleitorado "não têm nenhum interesse" nos programas, enquanto 33% disseram que têm pouco interesse; muito interessados foram apenas 20%. É a maior taxa de falta de interesse desde as eleições de 1998.
Esses índices já são suficientes para que se comece a discutir mudanças na legislação. Se os próprios eleitores não estão satisfeitos com o formato e preferem ignorar a propaganda, é de se começar a refletir sobre a sua real necessidade. O atual formato favorece a formação de coligações entre vários partidos, nem sempre ideologicamente alinhados. Além disso, a própria história mostra que "em nome do maior tempo de propaganda" são firmados acordos escusos e que refletem em favores posteriores.
Outra questão a ser abordada é que, nesta campanha, o debate em torno de propostas e programas de governo foi quase inexistente. Os ataques entre candidatos – surpreendentemente puxados pela candidata à reeleição, presidente Dilma Rousseff (PT) e líder nas pesquisas – é ruim porque não há exposição de ideias. O processo eleitoral perde. Além disso, a diferença de tempos para candidatos e coligações contribui para que o eleitor não dispense a devida atenção aos postulantes a uma vaga de deputado. Como quase não há exposição de discursos políticos, o que aparece são poucas falas baseadas em clichês ou uma cansativa sequência de nomes e números.
O momento pede mudanças e, juntamente, com a reforma política seria importante que fosse discutido outro formato para a propaganda eleitoral gratuita.

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