Queimada na Amazônia: repercussão mundial
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sábado, 24 de agosto de 2019
Folha de Londrina 
A imagem do Brasil no exterior passa, talvez, por seu pior momento, com tanta gente pelo mundo expressando preocupação com o fogo que consome parte da vegetação da Amazônia e criticando a posição do presidente da República, Jair Bolsonaro. Até sexta-feira (23), ele pouco havia feito para traçar um plano de combate à destruição da região que tem a importante função de regular o clima no planeta.
Há vários dias, veículos de comunicação internacionais vêm focalizando a Amazônia entre suas principais notícias. Nas redes sociais, presidentes, artistas, celebridades e atletas fazem declarações de preocupação e repúdio à postura de Bolsonaro. A forma agressiva como o presidente responde às críticas internas e externas contribuiu para abalar a imagem do País.
Todo esse cenário levou a discussão sobre a política ambiental de Bolsonaro para outro nível. Se antes o debate girava em torno do desafio de integrar a agricultura e a preservação do meio ambiente, hoje a questão ultrapassa a argumentação da soberania nacional e as críticas quanto à atuação das ONGs (organizações não governamentais). Preocupa a preservação da região que concentra a maior diversidade de espécies em um mesmo território e interfere diretamente no clima.
Essa crise pode afetar também as relações comerciais com outros países. Há grande preocupação com as ameaças de imposição de barreiras comerciais contra o Brasil caso as queimadas na Amazônia não sejam combatidas com vontade e eficácia. O setor mais afetado seria o agronegócio, que exporta em grande quantidade para a Europa. França e Alemanha, que junto com a Noruega foram vítimas da retórica agressiva de Bolsonaro nos últimos dias, podem mudar o jogo na próxima reunião do G7 e colocar em xeque o acordo comercial entre Brasil e União Europeia.
Com a polêmica instalada, muita desinformação foi gerada na última semana, com fotos antigas veiculadas como novas e fake news em excesso. O presidente tem direito de questionar dados sobre desmatamento e a real área da floresta destruída pelo fogo. Picos de queimadas já foram registrados antes em vários santuários ecológicos do País e o problema não é um tragédia restrita ao Brasil. A questão é como se resolve a crise. Só nesta sexta-feira o presidente assinou um decreto autorizando o emprego das forças armadas para atuar no combate a focos de incêndio.
Faltou ao presidente uma postura de estadista que deveria passar longe de excentricidades, acusações sem provas ou agressões descabidas. É uma postura que pode causar incertezas políticas, trazer consequências negativas para a economia nacional e provocar tremores na relação do Executivo com o Congresso. Não é momento para criar mais tensão.
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