Recentes pesquisas dão conta: os jovens brasileiros aparecem em segundo lugar no ranking dos que perdem a virgindade mais cedo, precisamente aos 17,4 anos, em média, atrás apenas da Áustria. O pior é que 52% não usam camisinha na primeira relação sexual. Em tempos em que novelas são impróprias para determinada faixa etária - tamanho o festival de decotes, fendas e cenas picantes - e em que o apelo visual ''é tudo'', a pergunta que ecoa: como a sexualidade deve ser mostrada aos jovens? Em busca das respostas, a reportagem da FOLHA ouviu a psicóloga Denise Tinoco, que defende postura mais participativa dos pais em relação ao assunto.

A senhora acredita que os jovens estão mais informados em relação ao sexo?
Sim e não. É relativo. As informações estão aí, mas muitos não usam a camisisinha. Tem-se, entre os jovens, o pensamento de que o vizinho pega uma doença, mas o próprio jovem, não. Há propagandas, cartilhas, as escolas estão mais empenhadas em trabalhar a questão da sexualidade, que não deve ser vista como um erro, um pecado, uma coisa feia. A sexualidade faz parte do ser humano, basta se conscientizar.

Diante disso, a contrapartida é do jovem?
Sem dúvida. A contrapartida é de quem escuta, de querer realmente escutar. O adolescente precisa sair de sua posição onipotente, de achar que com ele não vai acontecer nada. Por conta disso, muitas vezes esse adolescente, se vendo como muito forte, cheio de energia, se permite a todas as experiências possíveis, não somente às questões da sexualidade. Achando que vai dar conta de tudo, muitas vezes o saldo é esse jovem preso a um vício ou doente.

Olhando para trás, a situação melhorou ou piorou, no que se refere à conscientização?
Hoje existe uma preocupação muito maior em se conscientizar, com muito empenho. Diante desse trabalho, o ideal é que tenha melhorado. Não tenho dados estatísticos, mas, com o aumento da população e o incremento das ações, acredito que, em termos proporcionais, tenha melhorado.

E a postura dos pais em relação à sexualidade, como é, atualmente?
O que vejo, na minha experiência como psicóloga, é que muitas vezes os pais não resolveram dentro deles muitos tabus, não lidam como a sexualidade como algo natural. Com isso, às vezes os filhos procuram e fazem perguntas e o pai empurra para a mãe, que empurra para o pai. E assim vai...

E como deve ser essa postura?
Participativa. Os pais devem estar abertos a conversar com os filhos, para entendê-los e acompanhá-los ao médico quando for pedido. Nesse caso, penso que deva ser respeitada a vontade do filho. Seja o adolescente optando por ir sozinho ou na companhia dos pais ao médico, é importante saber respeitar o sigilo. Em relação à conversa, o diálogo e a compreensão são importantíssimos. Os pais não podem esquecer, nesses momentos, que já foram adolescentes e, independente da repressões pelas quais tenham passado, deixar esse saldo negativo de lado. Compreender, explicar e explicitar limites são um bom indicativo de comportamento.

Em relação aos limites, é melhor fechar os olhos ou trazer esses jovens para casa?
Vejo que os pais devem estar bastante próximos dos filhos e não fechar os olhos. Não concordo com a omissão. Concordo, sim, com os pais interagirem de toda a situação que ocorre e associarem amor com sexo e não a banalização das relações, como tanto vemos. A banalização faz com que as pessoas se firam e, queira ou não queira, a pessoa investe no outro uma expectativa, um sonho, e se a sexualidade ocorre só por busca de sensações prazerosas momentâneas, alguém sai machucado. Sempre.

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