Organização não-governamental sem fins lucrativos direcionada para o desenvolvimento de projetos de informação e busca de parcerias visando a inclusão das pessoas com deficiência, o Instituto Meta Social conta com uma londrinense em sua coordenação de projetos.
Em entrevista à FOLHA, Patrícia Piancastelli Heiderich cita as atualidades sobre os direitos dos portadores de Síndrome de Down, fala sobre o trabalho à frente do Instituto e adianta a criação do Portal Ser Diferente é Normal, que visa formar um banco de dados completos em torno do tema Síndrome de Down.
A entidade, que não recebe verbas governamentais, não possui sede e não faz atendimento direto ao público, quer promover a inclusão e fazer com que as crianças portadoras vão às escolas ''estando realmente dentro delas''.
Em se tratando da Síndrome de Down, informação é tudo? A falta de informação pode levar uma família ao luto?
Não diria que informação é tudo, mas é muito importante. Vários paradigmas antigos sobre a Síndrome de Down caíram por terra. Uma criança estimulada e com oportunidades poderá aprender como as demais, apenas em um ritmo um pouco mais lento.
A cada 700 crianças, uma nasce com Síndrome de Down. A sociedade está atenta à questão da inclusão no Brasil?
Essa é a estatística. A inclusão é um caminho sem volta e a inclusão escolar - um direito de todos garantido por lei - ainda não está consolidada no Brasil. Ainda nos deparamos com a discriminação para oportunidade de emprego, no lazer. Na escola, existem situações em que crianças com Síndrome de Down ou outras deficiências estão lá, mas efetivamente não fazem parte dela. Em outros casos, o argumento de que professores não estão preparados assusta e desestimula as famílias. Existe algo fundamental que a sociedade não pode deixar de levar em conta: o aprendizado na diversidade é positivo para ambos os lados.
Qual avaliação a senhor faz sobre as políticas públicas para os portadores?
Avançamos bastante, mas, claro, ainda há muito por fazer. Uma conquista acaba de ser anunciada pelo Ministro da Saúde José Temporão: a partir de 2009, em todas as carteiras de vacinação, teremos dois parâmetros para acompanhamento de crescimento, para crianças com e sem a síndrome.
Sabemos que a SD é a alteração genética mais comum, tem caráter universal e sua ocorrência independe de raça, condição socioeconômica e localização geográfica. Uma vez a par de que terão na família uma criança SD, como agir? E após o nascimento?
O diagnóstico precoce ajuda muito. A família tem oportunidade de elaborar a notícia, se preparar e receber informações sobre o bebê que espera. Depois do nascimento, ele precisará, além da estimulação precoce e do amor, de cuidados e acompanhamento médico como qualquer outra criança.
Autoridades italianas apresentaram acusações contra a Google por um vídeo postado há dois anos em um de seus serviços de internet, no qual adolescentes provocavam um menino com Síndrome de Down. A que atribui, em pleno século 21, os portadores de Down ainda sofrem preconceito?
A vários fatores. O individualismo, o espírito competitivo exacerbado, a ditadura da beleza ''magra'' são exemplos das convenções absorvidas pela sociedade atual. Qualquer condição diferente dos padrões impostos não é vista com ''bons'' olhos. Precisamos aprender a enxergar o ser humano potencial que está atrás da deficiência. Pessoas com Síndrome de Down podem estudar, trabalhar, se relacionar, casar, como qualquer outra.
Quais os projetos engatilhados para o Instituto Meta Social?
Nosso intuito é não precisar existir! Até que não chegue este momento, trabalhamos para que a sociedade munida de informações possa diminuir a distância imaginária que existe entre as pessoas com e sem deficiência. Nesse sentido, estamos trabalhando no portal www.serdiferenteenormal.org.br, onde disponibilizaremos informações para a sociedade em benefício das pessoas com deficiência. Organizaremos assuntos como: leis ligadas à inclusão escolar, laboral e de acessibilidade. Banco de currículos e banco de talentos, dicas de boas práticas de convivência com pessoas com deficiência, entre outros. Além disso, temos projetos de realização de eventos ligados ao lazer e ao esporte que propiciam a convivência positiva.

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