Quebra de banco recomenda prudência
O mundo já era globalizado em 1929 quando houve a quebra da Bolsa de Nova York, porque as conseqüências negativas foram mundiais. Não naturalmente com a intensidade que agora ocorre pelo crack do banco Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, e que desmorona com o impacto de um rombo de 613 bilhões de dólares. Se um abalo no sistema financeiro acontece em alguma parte do mundo, os efeitos são generalizados e muito mais quando o epicentro é a mais poderosa nação do planeta. O pior é que já havia outros 28 bancos norte-americanos pedindo concordata, e doravante a situação tenderá a agravar-se, ao menos durante este final de 2008 e provavelmente no ano que vem.
No caso do Brasil, mesmo em situação melhor que em outros tempos para enfrentar esse tipo de turbulência que vem de fora porque tem uma boa reserva cambial e uma menor dívida externa a recomendação é de prudência, porque estilhaços cairão por toda a parte. Poderá haver diminuição das exportações, com queda de receita, retração de crédito e uma parada temporária nos investimentos estrangeiros.
As autoridades monetárias brasileiras ao menos estão semeando tranqüilidade, quando analistas estrangeiros falam em catástrofe na economia dos EUA, da Europa e do Japão, este último país o maior credor do banco que sucumbe. O dedo em riste é contra o próprio sistema financeiro que, na ânsia de ampliar lucros, abusou dos investimentos sem o suporte correspondente de capital próprio. Quando um gigante tomba o estrondo é muito grande. Verdade que a portentosa nação americana tem solidez estrutural para grandes impactos e deu prova disso com a tragédia das torres gêmeas. Temia-se conseqüências piores, mas não foi o que aconteceu. Também a tempestade de agora irá passar, embora vá deixar um rastro de devastação. Tormentas semelhantes, de menor intensidade, sempre rondaram o universo do capitalismo. As situações adversas, da mesma forma que irrompem, também se volatizam e servem para um reaprumo de condutas. Envoltos na crise do momento e sempre fazendo o reparo de estragos dos furacões verdadeiros, de terremotos e terrorismo que semeiam mortes e destruição e de suas constantes intervenções guerreiras, os EUA têm como retaguarda um organismo saudável e saberão superar mais este abalo.





