É estranha a razão que leva a Câmara de Vereadores de Londrina a alterar a lei do zoneamento, de forma a possibilitar a instalação de uma empresa, se a Secretaria de Obras imediatamente nega o alvará de edificação, porque o local não pode comportar indústrias que ocupem área muito extensa e eventualmente venham a oferecer risco ambiental. Trata-se da região sul da cidade – a Gleba Palhano – área nobre que atrai construções residenciais de alto padrão e onde estão instalados vários condomínios fechados. Uma indústria nesse ponto é contra-indicada, mesmo que não-poluente. A empresa em questão ocuparia uma área de 6,5 mil metros quadrados, quando a região permite apenas o limite de 2,5 mil m2. Agora os vereadores aprovam (em primeiro turno) a alteração do zoneamento, abrindo a possibilidade de se instalar indústrias de grande porte, e indústrias poluidoras ‘‘de risco leve’’. Três são os inconvenientes: a localização, a poluição e o excesso de área prevista para edificações. O precedente é sério, e o que deveria ser uma restrição dos vereadores converte-se em favorecimento. O problema é que, ali, não deveriam ser permitidas indústrias, e o Plano Diretor que deverá ser aprovado até outubro precisa atentar para isso. Essa zona, em toda a sua vasta extensão, é mais adequada para residências e para a expansão futura de núcleos residenciais mais sofisticados. A cidade precisa preservar áreas assim, e o poder público deve propiciar as condições. Já houve no passado a idéia de localizar, alguns mais adiante dessa região, um novo aeroporto, o que provocaria o estrangulamento definitivo no sentido do crescimento residencial. Não faltam em Londrina locais para indústrias, sem a recorrência a zonas nobres. A questão não é de eventual poluição – afirma-se que a indústria em questão não é poluidora – e sim o desvirtuamento dessa região da cidade. A questão deveria ser discutida pela comunidade, para não ficar apenas no âmbito da área oficial, cujos interesses prevalecentes nem sempre são os da comunidade. Ademais, porque as decisões do poder público nem sempre são as mais sensatas. O município precisa atrair empresas e proporcionar empregos, mas não aleatoriamente, permitindo edificações e atividades não pertinentes à vocação de cada zona ubana ou suburbana. Não se pode quebrar essa lei, que é a salvaguarda para que a cidade não se transforme no caos, com reflexos imediatos e futuros. Não é só dar terreno e facilitar as coisas, sem atentar para os prejuízos, que poderão se tornar irreparáveis. Sabe-se que, em questões como esta, todo um jogo de interesses se instala, e é um momento em que também outros poderes precisam intervir. A aprovação tão rápida, pelos vereadores, de questão tão complexa, põe sob alerta os munícipes mais atentos. A Promotoria de Justiça, defensora da sociedade, deveria inteirar-se do que está acontecendo.

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