Que venham as reformas e um novo ambiente de negócios
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sábado, 05 de janeiro de 2019
O ano que se inicia pode abrir um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil. Não se trata de uma previsão vazia, mas da constatação de que está instalada uma combinação de fatores suficientes para o país enterrar a crise longa e insistente que atormentou o setor produtivo nesta década. Não foi fácil conviver com tanta instabilidade, não foi simples sobreviver neste jogo. A crise aguda é um exercício de resistência e fé.
O fato é que o governo Bolsonaro, uma escolha do eleitorado de rompimento com a velha política e uma carta branca para a reforma do Estado, detém um capital político importante para liderar uma profunda mudança da relação dos brasileiros com o poder público.
Há um consenso que a transformação do ambiente de negócios e da expectativa de um novo tempo para o setor produtivo começa com o ataque implacável ao déficit da Previdência, o maior inimigo do equilíbrio fiscal e da capacidade de investimento do governo federal.
Se este ataque não for efetivo, debelando antigos privilégios e enquadrando a seguridade social em regras realistas, os brasileiros poderão sofrer ainda mais, com um repique da crise e o aumento da pobreza.
A reforma previdenciária é primordial e prioritária, mas o aprofundamento da reforma trabalhista e a simplificação fiscal também são movimentos politicamente muito viáveis e aguardados, bem como um agressivo programa de privatizações, combinado com um controle rígido de gastos. A receita não é nova, mas as condições para que ela seja colocada à mesa nunca foram tão plausíveis quanto nestes próximos anos.
É por isso que o empresariado está otimista e confiante, inclusive porque esta nova forma de governar e enfrentar o problema pode influenciar governos estaduais e municipais. No Paraná, por exemplo, a administração Ratinho Junior parece estar em sintonia com estas ideias.
Como disse o novo governador, a sociedade civil organizada terá um papel fundamental neste esforço, apoiando as decisões necessárias muitas vezes combatidas por interesses mesquinhos ou por ideologias ultrapassadas.
A ACIL e as entidades parceiras estão dispostas a contribuir com o que for necessário para a refundação do Brasil, um lugar que precisa ser menos hostil a quem empreende, produz, gera empregos, paga impostos e promove o desenvolvimento humano.
Desde 2014, o Brasil patina, empobrece e perde espaço no cenário internacional. Mas basta analisar as previsões mais respeitadas pelo mercado para entender que a luz no fim do túnel brilha cada vez mais.
A economia deve crescer cerca de 2,5%, índice modesto mas o melhor em seis anos. Há previsão de que sejam gerados cerca de 850 mil vagas formais de trabalho, que a inflação fique em torno de 4%, que os juros básicos se mantenham num patamar entre 7 e 8%, que haja estabilidade no câmbio em torno de R$ 3,80, superávit na balança comercial de mais de US$ 50 bilhões e crescimento do Investimento Estrangeiro Direto, que poderá alcançar o equivalente a quase R$ 300 bilhões em 12 meses.
Além de juros baixos, inflação controlada e endividamento cadente, as empresas também poderão se beneficiar da própria ociosidade para crescer sem precisar investir em incremento estrutural, além de crescer sem pressionar a inflação.
Empresariado, é preciso acreditar em 2019! É preciso participar da vida política e garantir a defesa dos interesses da sociedade junto aos governos. É preciso prezar por nossos índices de produtividade e reforçar os programas de capacitação!
É preciso investir e se colocar com propriedade neste mercado promissor que se desenha. O Brasil vai virar o jogo e quem acreditar nisso será premiado. Que cada um de nós tenha a obstinação e a sabedoria necessárias para converter esta expectativa em uma realidade próspera e de paz social.
Fernando Moraes é presidente interino da Associação Comercial e Industrial de Londrina
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