A agropecuária brasileira está preparada para o futuro. Falta o conjunto do país se preparar para a sua agropecuária. Essa, hoje, é a nossa grande luta. O discurso da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), na abertura do Balanço do Agronegócio 2013 e Perspectivas para 2014, preparado pela entidade, traduz bem a realidade em que vive o produtor rural.
O balanço mostra que a cultura da soja foi destaque no ano de 2013, com crescimento de 16% no valor bruto da produção, atingindo R$ 80,2 bilhões. A área plantada do grão na safra 2012/2013 apresentou aumento de 10,7% em relação ao ano anterior, elevando a produção para 22,7%, ou seja, volume 15 milhões de toneladas superior ao produzido em 2012.
Os ótimos preços na safra 2011/2012, que atingiram níveis recordes devido à redução da safra dos principais países produtores mundiais, são o principal responsável por essa expansão.
A expectativa é que o PIB do agronegócio encerre o ano de 2013 em R$ 1,02 trilhão, crescimento de 3,56% em relação a 2012.
O que sustentou o resultado positivo do segmento primário agrícola foi a safra recorde de 186,8 milhões de toneladas de cereais, fibras e oleaginosas.
Destaque para a colheita de 81,3 milhões de toneladas de soja e de 80,5 milhões de toneladas de milho, produção que cresceu 12,93%.
E para 2014, qual é o cenário que nos espera? Conforme o balanço da CNA, deve ser muito semelhante ao verificado em 2013, com preços muito próximos às médias deste ano.
A previsão é de estabilidade também na oferta de crédito rural. Já em relação às taxas de juros de algumas linhas de crédito, a classe produtora terá que brigar para manter os patamares atuais.
Quando o assunto é infraestrutura e logística, porém, o Brasil peca pela falta. E sabemos que avanços neste setor são indispensáveis para que possamos desenvolver vantagens em comparação com os demais países.
A questão indígena foi um tema que teve grande repercussão entre os produtores rurais e pelo jeito continuará na pauta de 2014. O ano de 2013 foi marcado por invasões de propriedades rurais por índios, inclusive aqui na nossa região. Só no Paraná foram noticiadas 18 invasões em todo o Estado. A região Oeste foi uma das mais atingidas do Paraná, principalmente nos municípios de Guaíra e Terra Roxa.
Vale lembrar que as terras reivindicadas já são ocupadas de forma consolidada por produtores rurais, em sua maioria familiar. Acreditamos que no próximo ano, o governo garanta a pacificação.
A novela do Código Florestal Brasileiro ainda não chegou ao final. A grande missão para 2014 será colocar em prática o Código e cadastrar mais de 5 milhões de propriedades rurais. Para isso, o governo terá que fazer com que os produtores rurais cumpram as regras e procedimentos relacionados ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).
No âmbito geral nós brasileiros esperamos que o país continue crescendo e encerre o novo ano com aumento do PIB, geração de mais emprego e renda. É necessário ter esperanças e trabalhar muito para que tenhamos um país melhor, mais forte, fraterno e justo. Um ótimo Ano-Novo!

NARCISO PISSINATI é presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina


■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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