Que universidades encontrarão os vestibulandos?
A UEL e a UEM estão realizando, neste início de semana, os seus concursos vestibulares. Ao todo, são mais de 30 mil jovens disputando vagas nas duas mais importantes universidades mantidas pela população do Estado do Paraná. Jovens esperançosos, sonhadores, que vêem nas universidades públicas a possibilidade de realizar um curso superior com qualidade e que lhes permitam abrir as portas do cada vez mais concorrido mercado do trabalho, possibilitando para si e para os seus um futuro melhor.
Mas, como estão as universidades públicas paranaenses que os vestibulandos querem adentrar? Infelizmente, as nossas universidades públicas vêm, ultimamente, sendo espezinhadas, dilaceradas e sucateadas por insensíveis governos que ainda não perceberam ou se perceberam, estão omissos, o que é pior que um país desenvolvido, competitivo e justo se constrói com pesados investimentos em educação, ciência, tecnologia e cultura.
A realidade paranaense não é das melhores. Os recursos mensais que o governo do Estado encaminha às universidades não são suficientes para fazer investimento em laboratórios, em bibliotecas, na modernização das salas de aulas, na construção de novas salas e assim por diante. O dinheiro, cada vez mais curto, tem sido suficiente, apenas, para pagar os salários de professores e funcionários que, diga-se de passagem, estão defasados há cinco anos e meio, aproximadamente 50%.
Mas apesar disso tudo não paramos. Porque temos um compromisso com a sociedade. A universidade pública é responsável pelos melhores cursos de graduação e de pós-graduação e pela quase totalidade da pesquisa científica e tecnológica do Brasil. Nas estaduais não tem sido diferente.
A UEL tem se destacado, nacionalmente, pelos seus resultados no Provão, a avaliação anual dos cursos de graduação, realizada pelo MEC. Hoje ela está entre as melhores universidades do país, o que reflete a grande procura pelo seu vestibular. Mas tem se destacado também pelos grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Pesquisas (CNPq), pela quantidade de livros de qualidade publicados na sua editora e pelas centenas de projetos de extensão que tem desenvolvido junto à comunidade.
No caso da UEM acontece o mesmo. Hoje, a UEM é a universidade do Paraná que, em termos proporcionais, tem o maior número de professores doutores, a maior quantidade de pesquisadores com projetos aprovados no CNPq e a maior quantidade de bolsas de iniciação científica para alunos. Dos projetos aprovados pela Fundação Araucária (Fundação de Amparo à Pesquisa do Paraná) e divulgados no último dia 5, 30% são de professores doutores da UEM. Um dado por si só muito significativo.
É verdade que a universidade precisa aprender a superar algumas dificuldades, que hoje lhe são inerentes, como o nocivo corporativismo, os destrutíveis acordos eleitorais pela luta do poder interno, o infeliz sistema de ingresso nas universidades, que privilegia os cursinhos caça-níqueis em detrimento do ensino médio e regular. Apesar disso, a universidade pública e gratuita ainda é o locus privilegiado do ensino, da pesquisa e da extensão com qualidades, o locus da formação da cidadania. Sem universidades fortes não haverá país forte, povo desenvolvido, nação justa e humana.
É indispensável lembrar, ainda e sobretudo, que universidade pública não é uma utopia, mas uma realidade duramente construída com o trabalho de gerações de brasileiros, um imenso patrimônio da Nação a ser preservado com o devido cuidado. E para isso, esperamos poder contar com os vestibulandos e futuros universitários. A sociedade brasileira precisa de vocês. Sejam bem-vindos!
- ANGELO PRIORI é presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (Aduem) e professor doutor do Departamento de História da UEM
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