Estamos todos nós - a sociedade de um modo geral - habituando-nos ao cotidiano da violência e da insegurança. Porque, entre outras razões, as instituições que deveriam nos proteger não o fazem com a necessária e indispensável eficiência. Da mesma forma, a educação e a saúde também não alcançam os objetivos para os quais foram criados. Todos esses serviços, que são essenciais, deixam muito a desejar. E a causa mais frequentemente citada para explicar toda essa ineficiência tem sido sempre, com justa razão, a falta de recursos financeiros compatíveis com as necessidades de cada setor. Tanto para o aparelhamento adequado quanto para o pessoal, faltam recursos.
Enquanto aqui embaixo, na linha de frente, onde se lida diretamente com o povo, sempre se clama contra a falta de recursos, que é notória, lá em cima o dinheiro jorra abundante e farto, não só para a remuneração absurdamente alta dos políticos, como para a corrupção e a roubalheira. É dinheiro que sobra para tudo quanto é lado. São bilhões e mais bilhões. Para os políticos, seus parentes e correlatos, não faltam régios salários, privilégios e vantagens múltiplas. Mas isso já durou demais. Isso tem que se modificar. Quem sabe se invertêssemos a situação?
Vamos começar imaginando pagar ao professor, por exemplo, que tem grande responsabilidade na formação da educação e do caráter do jovem, um salário semelhante ao que ganha um político. E não precisaria ser ganho daqueles do nível estadual ou federal não. Ganho de político de nível municipal mesmo.
A seguir imaginando pagar ao policial, que é responsável pela nossa segurança, a mesma coisa ou algo bem próximo disso. E para o médico, enfermeiro, o pessoal da saúde, que combate as nossas doenças, algo equivalente ao que ganham aqueles que trabalham junto às casas políticas e gabinetes desses senhores.
Assim então, com certeza, as coisas mudariam para muito melhor. O pessoal da educação, da segurança e da saúde, ganhando bem, com seus diferentes setores adequadamente equipados - não precisaria nem de frota de carros importados ou avião de luxo - e os políticos sem imunidades e tantos privilégios, ganhando salários compatíveis com a realidade do povo brasileiro, aí sim a vida de todos seria melhor e mais justa, com educação, segurança e saúde para todos, e não apenas para um punhado de privilegiados financeira e politicamente. Ou você, cidadão, acha que está bem assim do jeito que está?
PEDRO PAULO HOSKEN NOLASCO é médico aposentado em Londrina

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