Que praça é essa?!
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Espaço do Leitor 
Que praça pública (?!) é essa que esteve durante muitos anos abandonada por todos os poderes e pelos seus vizinhos, moradores e comerciantes? E que hoje readquiriu seus dotes de beleza, cores e de história?
Que praça é essa que teve o busto do seu patrono vandalizado duas vezes? Na primeira, há décadas, foi recuperado. Mas que, depois da segunda, jamais foi visto. As más línguas dizem que foi “fumado” pelos adictos que perambulam pelas ruas...
Que praça é essa que leva o nome de um pioneiro de Londrina que, nos anos 1940, teve a iniciativa de colocar em funcionamento um pequeno hospital, conhecido carinhosamente como “o hospitalzinho do Dr. Jonas” e, não satisfeito, tomou a iniciativa de procurar um sócio, comprar um terreno e construir o primeiro Ginásio de Londrina?
Que praça é essa que desde 2013 tem merecido as atenções dos dirigentes do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco), que realiza eventos e promove pesquisas voltadas ao ensino e a saúde e que enxergou nessa praça e no seu patrono, um belo exemplo de vida & trabalho dedicado a essas duas prioridades que estão sempre nos discursos e nem sempre nas práticas das nossas gestões públicas e privadas? E que por conta disso, mobilizou seus poucos recursos para a revitalização da praça...
Que praça é essa que motivou, em 2014, as remanescentes da primeira turma do Ginásio Londrinense ainda residentes em Londrina e amigas por quase um século, para um mutirão de resgate da história da praça e das suas condições físicas, incluindo a sua fauna? Essas amigas – Silvandira Ferraresi de Almeida, Kilda Prado Gimenez e Paulina Oliveira Cezar – participaram de reuniões, divulgaram a “vaquinha eletrônica” que as meninas (Cris e Bete) da Visualitá criaram com um dos netos da Silvandira e uma das netas do Dr Jonas e ficaram felizes quando conseguiram encomendar, pagar e ver reinstalado um novo busto do patrono no mesmo pedestal que resistiu aos vandalismos. Hoje, após os falecimentos recentes da Paulina e da Kilda, que praça é essa que ainda motiva os que vão ficando a reformar as placas indicativas das árvores, classificadas pelo trabalho de um outro voluntário, o biólogo Claudio Muller e a publicar um novo folder com explicações sobre “Porque a praça tem o nome do Dr. Jonas de Faria Castro” e “Quem foi o Dr. Jonas de Faria Castro”. No novo folder e nas placas reformadas, as árvores, Pau Brasil, Ipês, Alfeneiro, Mandacaru, Jacarandá e muitas outras, estão agora enriquecidas pelos nomes de professores e colegas de turma numa justa homenagem. Quem sabe com isso mais gente se anima a cuidar da praça?!
A praça é, além de tudo, testemunha viva de um crime silencioso cometido contra a memória da cidade quando, na calada de uma noite de 1974, foram demolidos os 5 ou 6 blocos com dezenas de salas de aulas, auditórios e o Ginásio de Esportes Colossinho. Talvez por conta disso mesmo é que o busto do seu patrono está de costas para onde existiu um dos sonhos da sua vida & obra. Felizmente os novos moradores dos condomínios construídos naquele terreno, que aliás, é bom que se diga e registre, não têm “culpa no cartório”, estão imbuídos de preservar esse pedacinho da história & memória de Londrina. Assim como a atual gestão municipal por intermédio do setor de praças e jardins da CMTU que, finalmente, está em sintonia com o que pensam muitos dos cidadãos desta cidade.
Que praça é essa ?!? A que fica ali onde se juntam as histórias das ruas Santos, Mossoró e Quintino Bocaiúva...
SILVANDIRA FERRARESI DE ALMEIDA, remanescente da primeira turma do Colégio Londrinense, formada em 1944 e residente em Londrina há 85 anos
JOÃO CAMPOS, professor do curso de medicina da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e diretor-presidente do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva


