Que o espírito natalino dure todo o ano
Embora o brasileiro tenha fama de hospitaleiro e amigo, o conceito do povo caiu consideravelmente no quesito "solidariedade". A última pesquisa realizada pela organização britânica Charities Aid Foundation (CAF), que montou o ranking mundial da solidariedade, colocou o País na 91ª posição na lista dos povos mais solidários. Com base em dados de 2012, o estudo "World Giving Index 2013 uma visão global das tendências de doações" estampou o Brasil e a Venezuela como os menos generosos da América do Sul. Os Estados Unidos ocuparam a primeira colocação na lista.
Não é essa a imagem que o povo brasileiro tem dele mesmo, afinal quando ocorrem tragédias climáticas, por exemplo, a população corre para levantar doações e fazer com que os donativos cheguem rapidamente aos necessitados. No Natal, as pessoas também costumam mostrar um perfil solidário, doando brinquedos usados ou novos, cestas básicas e auxiliando financeiramente instituições de caridade.
Os jornais e outros veículos de comunicação dão espaço, em sua programação, para mostrar o exemplo de pessoas que doam mais do que bens materiais. São cidadãos que consertam brinquedos usados para serem reaproveitados por famílias carentes, preparam refeições para moradores de rua, "adotam" idosos abandonados que vivem em asilos para passar com eles as festas de Natal e Ano-Novo. São ações importantes e merecedoras de reconhecimento.
Porém, os carentes, os doentes e os abandonados precisam receber dos brasileiros mais do que o sentimento de solidariedade nascido do espírito natalino. O ano tem outros 11 meses. A corrente solidária que se concretiza no mês de dezembro tem que resistir ao Réveillon e ao Carnaval. Ela tem que se transformar em voluntariado, ajudando ao próximo de maneira sistemática, interferindo de forma participativa na solução dos problemas sociais.
Para elaborar o estudo, os representantes da instituição britânica percorreram o mundo fazendo três perguntas: no último mês, fez alguma contribuição financeira para organizações sociais? Fez doação de tempo como voluntariado? Ajudou a um desconhecido?
Tomara que da próxima vez que os entrevistadores abordarem os brasileiros, as respostas positivas mudem a história e a realidade de muita gente.





