Depois da greve que paralisou durante meio ano as universidades públicas do Paraná, que não haja agora também um impasse para a realização do vestibular na Universidade de Londrina! Primeiro, a secretária de Educação disse que não cederia salas de aulas das escolas públicas como reforço de locais para a prova face as insuficientes instalações da UEL para abrigar os 19 mil vestibulandos inscritos. Ela afirmou que ‘‘nem o Papa’’ a faria ceder. Mas bastou a palavra do governador Jaime Lerner ᖠno caso superior à do Pontífice – e a secretária voltou atrás e disse que havia faltado diálogo.
Está certa a titular da Educação em proteger os alunos das escolas e impedir que percam dias de aulas, mas ocorre que há uma situação emergencial, e são nesses momentos que se exige bom senso, boa vontade e contenção nas palavras. O governador, desta vez, foi rápido na decisão e, ao concordar com a cessão das salas propôs alteração nas datas do vestibular, com diferença mínima de 2 dias, mas que amenizam um pouco a perda de aulas.
Porém, alas renitentes da UEL já começam a colocar obstáculos, porque parecem não desejar fórmulas de solução. Alegam, entre outras coisas, que isso exige reformulação do programa de organização e que as novas datas incluem um sábado, e isso prejudica os sabatistas, uma comunidade religiosa que nada faz nesse dia da semana. Naturalmente que uma instituição das dimensões da Universidade de Londrina não deve preocupar-se com uma minoria, em prejuízo dos demais, por conta de convicções religiosas. Imagine-se se os católicos e evangélicos da linha de centro também fizessem exigências com respeito ao domingo, que é o seu dia de guarda!
Se os organizadores do vestibular desejavam as salas adicionais, e agora elas são cedidas, não há que criar impasse e sim aceitar imeditamente a oferta e não criar problema, mesmo que o início das provas seja adiado por dois dias – de 29 de abril para 1º de maio. A decisão cabe ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, que vai se reunir amanhã à tarde para tratar do assunto. Não se entende a declaração do reitor da UEL de que a dificuldade é a preparação das salas. Ora, se essa preparação teria de ser feita de qualquer maneira – e ainda falta um mês e meio para o vesitublar – mais fácil será agora, com dois dias de vantagem!
Certamente que a administração da UEL não vai querer adotar a mesma política do ‘‘quanto pior melhor’’. Esta não é hora para picuínhas e, se há o indicativo de uma solução, não há que criar dificuldades. Já bastou o transtorno dos seis meses sem aulas nas universidades!

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