Até o ano de 2005 deverá estar implantada a Alca, englobando 34 países das Américas, deixando de fora apenas Cuba. A primeira pergunta que nos ocorre é essa: por que deixar Cuba de fora? Se se procura uma integração econômica, e, futuramente, uma aproximação social, política e cultural, inexistem motivos para que o país caribenho não seja chamado a compor um bloco, então, com 35 países. Do contrário será aceitar goela abaixo uma exigência dos Estados Unidos que querem impor a sua vontade de marginalizar a terra de Fidel Castro dessas negociações.

Outra questão que precisa ser preliminarmente esclarecida: a Alca será tão-somente uma Área de Livre Comércio ou buscará uma integração maior, digamos tipo União Européia?

É que os blocos econômicos são criados com a finalidade de desenvolver o comércio de determinada região. Para alcançar esse objetivo, eliminam-se as barreiras alfandegárias, o que torna menor o custo dos produtos. Com isso, criam maior poder de compra dentro do bloco, elevando o nível de vida de seu povo. Como o mercado passa a ser disputado também por empresas de outros países, membros do bloco econômico, cresce a concorrência, o que gera a melhoria de qualidade e redução de custos.

Os blocos econômicos são criados sob a forma de Zonas de Livre Comércio, que podem evoluir sucessivamente para União Aduaneira, Mercado Comum, União Econômica e, num quinto estágio, para Integração Econômica Total.

O falecido ex-ministro Roberto Campos dizia que ''o diálogo do futuro não se dará entre nações-Estado, e, sim, entre blocos e regiões econômicas''. E vemos que o mundo está-se encaminhando nesse sentido.

Faz bem, portanto, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em conversar com Eduardo Duahlde, na Argentina, Ricardo Lagos, no Chile, e Vicente Fox, México, e, no dia 11, quando for recebido pelo presidente do Estados Unidos, chegará robustecido para buscar um acordo com mais cláusulas sociais em benefício dos trabalhadores, e alcançar uma Alca mais brasileira, que realmente dê tempo de adaptação à nossa indústria e que não precise necessariamente abrir os setores que julgar não competitivos.

Há que levar em conta também que, no noticiário do comércio internacional, frequentemente circulam rumores de que os Estados Unidos estariam dispostos a oferecer a Lula um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

E, assim, poderá perguntar: companheiro Bush, que Alca é essa?

OSWALDO TREVISAN foi deputado federal e constituinte e integrou a Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados

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