Ausência de diálogo produtivo, incapacidade de negociar, inflexibilidade em adotar medidas, inadmissão de gastos abusivos. Estes são alguns dos ingredientes para a continuidade da greve dos servidores municipais de Londrina que reivindicam 27% de melhoria salarial e já entra na quarta semana. É tempo demais, com prejuízos grandes, porque empresas e pessoas que precisam de documentações não podem obtê-las, e isto atrasa negócios e empreendimentos. Mas é nas áreas de saúde e educação que a paralisação é mais sentida. Pessoas doentes têm atendimento precário e, com toda certeza, os sofrimentos estão acontecendo. Não se tem informação de mortes, mas isto pode ocorrer, também não se garantindo que consequências fatais possam acontecer mais tarde como resultado de maus atendimentos de agora. No ambiente da greve a situação tem ficado mais tumultuada, porque o sindicato da categoria tem argumentado nas portas da Prefeitura e no plenário da Câmara de Vereadores, conforme as fotos mostradas ontem por este Jornal. O argumento é que têm sido dadas vantagens ou aumentos a outros servidores. Há cópias de releases da assessoria de comunicação da Prefeitura com declaração do próprio prefeito sobre excedente de gastos. No comparecimento à Câmara, representantes dos grevistas pedem a intervenção da Casa para a redução do número de comissionados e de funções gratificadas na Prefeitura, revisão de todos os contratos com empresas terceirizadas, e revisão ou suspensão do atual plano de cargos e salários. Estas seriam formas de abrir disponibilidades para atendimento do pleito salarial dos servidores, ou ao menos em parte. Se há excesso de gasto com pessoal em certos setores, o prefeito precisa rever isto. Porque não há repartição pública neste país onde não haja gastos desnecessários e que não possam ser cortados, e não apenas na folha de pagamento do pessoal mas em todos os setores. Com inteligência, será possível cortar essas gorduras e atender, com algum porcentual, a reivindicação de melhor ganho para aqueles que realmente merecem por competência, dedicação e produtividade. Uma Prefeitura não necessita de tantas secretarias, de tantos assessores alguns de baixa serventia e de tantos procedimentos que levam o dinheiro público para o ralo. Quatro semanas de greve sem solução é demonstração de descaso também para o povo, que precisa valer-se dos serviços da Prefeitura e paga impostos para isso. Onde há boa administração pública as greves nem acontecem. Quando elas irrompem, será preciso correr atrás das soluções, sempre problemáticas porque com o pessoal parado e o ambiente tenso. E o sindicato que trate de ser prudente, sabendo que negociações pressupõem também transigir, ajustar e harmonizar.

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