Um dia você está andando na rua e é preso sem qualquer explicação. É levado para a delegacia e uma testemunha de assalto olha para seu rosto e diz que você é culpado do crime. A porta da cadeia se fecha. Pouco tempo depois, a testemunha reflete, diz que se enganou, mas a porta da cadeia não se abre. Você é inocente e continua preso. É obrigado a conviver com marginais, corre risco de ser molestado, agredido, de ser morto. Não há qualquer prova contra você. Mesmo assim, sem ser culpado, a porta da cadeia continua fechada.
Foi mais ou menos isso o que aconteceu com o vendedor Maikon Júnior de Souza, de 22 anos. Souza foi confundido com um assaltante. O motivo da confusão? Ele é negro, por isso, conforme a tal testemunha, houve a confusão.
Um misto de preconceito racial e morosidade da Justiça deixaram o rapaz quatro meses na cadeia. Quanta coisa não dá para fazer em quatro meses. Tempo perdido ninguém recupera. Quatro meses na cadeia ninguém nunca mais esquece. Quanto sofrimento durante quatro meses na cadeia. Quantas marcas ficam?
Maikon Júnior de Souza, como mostra reportagem de hoje no caderno Cidade foi solto. Voltou à liberdade. Mas quem vai pagar pelo erro? Onde está a justiça?
Cláudio Osti

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