Quatro dos sete juízes votaram pela cassação
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quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Sérgio Wesley 
Dos sete membros do TRE do Paraná, quatro decidiram pela cassação do senador Roberto Requião (PMDB). O juiz Cezar Cunha declarou-se impedido de votar, alegando questão de foro íntimo. Nomeado em setembro do ano passado para o TRE, numa das duas vagas reservadas aos advogados, Cunha não quis se manifestar ontem sobre o processo. Segundo fontes do TRE, ele já advogou em favor de Requião.
Outro membro do TRE que não teve participação foi o juiz federal Amaury Chaves de Athayde. Ele ocupa uma das cadeiras no Tribunal Regional Federal da 4ª Região e estava em Porto Alegre (RS) na segunda-feira, dia da cassação.
O presidente do TRE, desembargador Luiz José Perrotti, também não votou. Só precisou desempatar a discussão sobre o valor dos honorários que Requião terá que pagar aos advogados de Hélio Duque, autor da ação. Votou pelos R$ 100 mil, derrubando a proposta de R$ 30 mil.
Dos quatro juízes do TRE que votaram, um foi colega de faculdade do senador. Anny Mary Kuss Serrano, atual titular da 3ª Vara da Fazenda Pública, formou-se em Direito ao lado de Requião, em 1966, na UFPR. Mas nunca tive um relacionamento estreito com ele, antecipa-se.
Anny ingressou na magistratura em 1969. Julguei muitos processos contra a Prefeitura de Curitiba na época em que Requião era prefeito. Ele judiou muito dos funcionários, afirma. A juíza assumiu no TRE em junho e foi relatora do processo que na campanha eleitoral deste ano suspendeu a propaganda do governo em Curitiba.
O relator do processo foi o juiz Eduardo Lino Bueno Fagundes. Segundo amigos de Requião, Fagundes mantém uma estreita relação de amizade com Álvaro Dias, atual adversário de Requião.
Com 22 anos de carreira, Fagundes foi nomeado ano passado pelo governador Jaime Lerner para o Tribunal de Alçada. É membro do TRE desde 1993 e teve seu primeiro mandato como juiz eleitoral renovado por mais dois anos pelo TJ. Fagundes garante que o julgamento não teve caráter político. Os autos estão recheados de provas de que foram desviados milhões e milhões do dinheiro público para uso eleitoral, afirmou.
Carlos Mansur Arida é o terceiro da lista dos juízes que cassaram o mandato de Requião. Formado pela Faculdade de Direito de Curitiba em 1978, onde atualmente leciona, Arida ingressou no TRE em maio deste ano. Seu nome foi indicado pelo TJ porque já integrou por duas vezes a lista tríplice de candidatos ao Tribunal de Alçada. Diz que não conhece pessoalmente Requião.
O quarto é o desembargador Wilson Reback, corregedor eleitoral tido como progressista e independente. Ele iniciou sua carreira em 1957 como juiz substituto em Londrina. Foi nomeado para o Tribunal de Justiça em setembro de 1987.


