Quase no fundo do poço
Pronunciamento público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no domingo à noite, trouxe calma ao mercado internacional. A notícia que lideranças dos partidos Democrata (situação) e Republicano (oposição) chegaram a um acordo para aumentar o limite do endividamento americano refletiu positivamente nas bolsas asiáticas, que abriam naquele momento. Ações de grandes bancos japoneses, detentores de bônus do Tesouro americano, registraram alta imediatamente. A sensação foi de alívio, porém sem euforia.
Os líderes de Obama no Congresso têm até hoje para amarrar o acordo e dar um fôlego de US$ 2 trilhões. É a data em que o governo federal poderá ficar sem dinheiro para pagar as suas dívidas, orçadas, atualmente, em US$ 14,3 trilhões. Em que isso afeta o Brasil e outros países? Basta pensar que ninguém gosta de levar calote, principalmente de um grande comprador com fama de pagador seguro. Analistas econômicos dizem que um calote dos EUA tornaria mais caro o custo de financiamento para as empresas brasileiras. Isso só para começar. A medida também provocaria incertezas e um caos nos mercados financeiros, pois sem dinheiro para honrar todas suas dívidas, os EUA precisariam priorizar os pagamentos mais importantes.
A situação pede cautela, mesmo com o acordo. Os termos da negociação ainda estão sendo conversados. Em troca da elevação do teto da dívida pública pelo Congresso, a oposição exige o corte de gastos de US$ 1 trilhão. Democratas e republicanos se debruçarão nos próximos meses em torno da planilha de cortes para reduzir mais US$ 1 trilhão em 10 anos.
A ginástica será cortar os gastos preservando empregos. Quatro milhões de americanos procuram trabalho há pelo menos um ano e esse número representa 1/3 do total de desempregados.
O ''pacote'' deve chegar para os americanos até o Dia de Ação de Graças, no fim de novembro. Por conta dessas medidas, ninguém se arrisca a ficar muito otimista. Todos que lembram da crise americana de 2008 sabem: aquilo que afeta a economia dos EUA interfere nos demais. E se os EUA podem chegar quase no fundo do poço, o que dizer dos outros?





