Há pouco mais de meio século a Igreja Católica no Brasil liga Quaresma à solidariedade e lança todos os anos, na Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade. Em 2020, a Igreja e seus fiéis vão pregar o tema "Fraternidade e Vida: dom e compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".

A Campanha da Fraternidade tem muito a ver com o que o papa Francisco chama de “globalização da indiferença”. Com esse termo, o Pontífice alerta para um movimento da sociedade no sentido de caminhar para uma cultura do conflito e do individualismo.

Vivendo em suas “bolhas”, homens e mulheres bloqueiam tudo o que os incomoda ou que é diferente. Nessa bolha, o cidadão bloqueia também o sofrimento do irmão mais pobre, criminalizado ou doente.

Nesse sentido, o cartaz de divulgação da campanha traz a imagem de Santa Dulce dos Pobres. Que melhor exemplo de bondade, amor ao próximo, ternura e comprometimento do que a vida da brasileira Irmã Dulce, canonizada em outubro do ano passado pelo papa Francisco.

Quando os homens e mulheres assumirem a sua parcela de responsabilidade em situações como desigualdade social ou destruição do meio ambiente, ele poderá se conscientizar da importância de suas atitudes no dia a dia (para o bem ou para o mal) e agir para fazer a diferença.

Não é preciso ser católico para assimilar a mensagem da Quaresma e da Campanha da Fraternidade. A indiferença é fruto do individualismo e afeta a todos.

E contra a indiferença às vezes é preciso se desconectar do mundo virtual e se ligar na realidade. E o que Francisco pede: “A Quaresma é o tempo propício para abrir espaço à Palavra de Deus. É o tempo para desligar a televisão e abrir a Bíblia. É o tempo para se desligar do telefone celular e se conectar com o Evangelho. É o tempo de renunciar a palavras inúteis, conversinhas, fofocas, mexericos e se aproximar do Senhor. É o tempo de se dedicar a uma ecologia saudável do coração, fazer uma limpeza nele. Vivemos num ambiente poluído por muita violência verbal, por muitas palavras ofensivas e nocivas, que a rede amplifica.”

Nesta edição (2), a FOLHA traz reportagem sobre como os católicos vivenciam o momento da Quaresma. Há quem use esse período para reflexão, para jejum de alguns alimentos ou outro tipo de sacrifício. Mas o tempo de fraternidade também pede caridade.

Que se faça a caridade e não apenas que se fale de caridade.

Obrigado por ler a FOLHA!

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