Quarentões e cinquentões estão supervalorizados
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domingo, 17 de agosto de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''O mercado de trabalho está revendo conceitos e se readequando à novas necessidades. Há espaço para todos os tipos de funcionários e cada vez mais o profissional do futuro é aquele focado em construir uma carreira sólida vagarosamente sustentada pela experiência e conhecimentos adquiridos com o tempo''. A afirmação é da coaching de executivos, Carla Mello, ao analisar algumas certezas que inundaram as empresas brasileiras nos últimos 10 anos, que na opinião dela, já não passam de mitos.
Uma das idéias mais difundidas no passado, segundo Carla, era relativa à questão da idade, antes homens com mais de 40 anos que fossem demitidos raramente eram reempregados, sobretudo em suas antigas funções. Agora, eles são cada vez mais valorizados pelo mercado. ''A experiência destas pessoas converte-se em resultados mais rápidos, com poder de decisão imediato. São dotadas de intuição, não um tipo de achômetro, e sim uma compilação de vivências'', comenta.
A procura por estes profissionais mais ''descolados'' é uma resposta à falta planejamento na formação de novos executivos no Brasil. Segundo a coaching, as empresas nacionais não tinham a visão de preparar um funcionário para o futuro. Isso é uma preocupação recente, influenciada pela globalização.
''A escolha por recém-formados não foi uma boa estrátegia porque a resposta mais rápida e o pique, que acreditava-se que os executivos mais jovens teriam, não se confirmaram. A solução foi contratar mão-de-obra que revertesse o quadro. O passe dos quarentões e cinquentões está supervalorizado.''
Nos Estados Unidos, há 25 milhões de babybomers (futuros aposentados) para 2008. As empresas já estão se alinhando com estas pessoas - são consultores, gestores e coachings -, para o repasse de informações aos aprendizes. O consultor Cláudio Mader, 58 anos, tornou-se o ''guru'' de um projeto pontual de uma grande empresa em Curitiba, após já ter trabalhado para ela por 20 anos.
''Os mais velhos estão reciclados e a nossa segurança nos permite desenvolver os projetos rapidamente, e o tempo pode custar mais do que investir em um serviço como a consultoria'', defende.
Permanecer dois ou três anos, no máximo, em uma empresa para não estagnar é outro mito que não se confirmou. De acordo com Carla, um profissional só começa a efetivamente conhecer a cultura, os procedimentos, as forças de poder, os objetivos gerais da empresa após um ciclo de aprendizagem de 4 a 5 anos.
''Quem pinga de empresa em empresa pode ter dificuldade em se estabelecer no futuro. Justo no momento em que era possível avaliar como a carreira pode evoluir dentro da empresa o cargo era deixado. Hoje, há por parte das empresas uma grande preocupação quanto à retenção de talentos, com recrutamentos internos e possibilidade de ascensão na carreira'', diz.
Muita especialização e pouca prática é o reflexo da época em que MBAs representavam candidatos mais preparados. ''A educação continuada mostrou-se mais eficaz do que o excesso de especializações. Praticar e, a partir daí, se especializar é o que o mercado procura. Os jovens têm que vivenciar as situações para saber enfrentá-las, pois muitas vezes a teoria está a quilômetros da prática'', explica Carla.
Carla afirma que outro mito do mercado era a grande visibilidade e importância dada a um profissional que ascendia rapidamente na carreira. ''Um profissional que passou por um cargo de gestão muitas vezes não aceitaria estar em um cargo hierarquicamente mais baixo e a decisão de promovê-lo pode ter sido inadequada. Logo, ao invés de buscá-los, hoje, o mercado tem receio de contratar tais profissionais. O melhor é que a ascensão seja gradativa e bem pensada tanto pela empresa quanto pelo o profissional'', explica.


