Enquanto na Câmara Municipal vai se encenando o teatro dos horrores - o escândalo político do momento - um acontecimento de grande relevância artística e cultural tem início em Londrina. É o Festival de Teatro, evento anual que dignifica a cidade e completa quatro décadas de existência neste ano de 2008. Os londrinenses certamente já estão saturados daquele espetáculo sinistro e desejam voltar seus holofotes para esse outro aspecto tão positivo. Do palco de sombras para os cenários de luz e beleza, que ontem abriram as cortinas para 18 dias de apresentações da melhor qualidade.
Participarão 15 companhias estrangeiras - de países europeus e sul-americanos (França, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Itália, República Checa, Suíça, Peru e Argentina) - e mais de 30 nacionais, para um total de 100 encenações e compondo uma vasta diversidade de linguagens. Ao longo desses anos o Festival foi sempre uma realização heróica de um grupo de entusiastas que vieram se revezando e hoje perpetuam uma obra que teve como principal vanguardista Nitis Jacon. Foi ela quem, em 1971, assumiu o então Festival Universitário, criado pelo jornalista Délio César em 1968 (daí a celebração dos 40 anos) e que resultaria no Festival Internacional de Teatro de Londrina, mais conhecido como Filo. Esse evento foi se consolidando, apesar da constante escassez de verbas - e este ano não é diferente - e também firmou Londrina como pólo alternativo capaz de promover cultura teatral de qualidade fora do eixo Rio-São Paulo. Por se tratar de um evento com ingressos baixos, considerando-se o alto custo da promoção e a qualidade artística, as apresentações podem ser assistidas por todos.
Algumas queixas têm surgido quanto à organização da venda de entradas, por causa das demoradas filas que sempre se formam, ainda mais agora com cadeiras numeradas. Certamente que uma maior agilidade é necessária. Mas ressalte-se a excelência dos espetáculos, que juntam teatro, música, dança e um pouco de circo. A apoteose de abertura foi com ''L'Oratório d'Aurélia'', com Aurélia Thierrée, neta de Charles Chaplin. A peça será vista em sete cidades nesta temporada.
Foram quarenta anos de persistência, impulsionados sobretudo pelo idealismo e por uma incessante batalha para obtenção dos necessários recursos financeiros - e só o presente Festival consumirá cerca de R$ 2 milhões. E não apenas essa luta, mas sobretudo o nada fácil trabalho de 365 dias de cada ano para a montagem da programação e fazê-la realidade.

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