Quantos serão culpados?
Depois de muita especulação, na sexta-feira à noite foram revelados os nomes dos políticos que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal por participação no megaesquema de corrupção e de desvio de dinheiro da Petrobras. Na lista, estão nomes influentes da política nacional, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), além de três parlamentares eleitos pelo Paraná: a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e os deputados federais Dilceu Sperafico e Nelson Meurer, ambos do PP.
Ao todo, responderão ao processo filiados de cinco partidos políticos. São 12 senadores e 21 deputados do PP, PMDB, PTB, PT e PSDB. As investigações finalmente "dão nome aos bois" ao listar supostos beneficiados por um esquema que desviou ao menos R$ 2,1 bilhões da maior estatal brasileira. No entanto, antes do julgamento e de um veredicto, há que se considerar: quantos dos envolvidos serão declarados culpados? Esta pergunta só será respondida depois de um longo e necessário processo.
Além desta questão, uma outra é igualmente relevante. Dos culpados, quantos serão efetivamente punidos e terão que devolver os recursos desviados? São perguntas que não podem ser esquecidas dada à sua gravidade. Além da indignação, os brasileiros devem acompanhar ativamente todo esse trâmite. A sociedade não pode continuar passiva diante de um quadro como o atual.
E se todo esse processo se faz extremamente necessário, importante acrescentar que será um período penoso para a presidente da República, Dilma Roussef (PT). Apesar de vitoriosa nas urnas, ela encontra-se extremamente enfraquecida no poder. Com sua base de sustentação ruindo no Congresso Nacional e com a opinião pública contrária, ela precisa garantir a sua governabilidade. A que preço? Este é um dos pontos cruciais, principalmente porque a sangria na Petrobras foi feita justamente para acalmar aliados. O único fator claro nesse processo é a urgente reforma política.





