Dias atrás, esta FOLHA sugeriu, com base no ranking das aplicações, que qualquer opção de investimento rende mais que a correção aplicada ao FGTS. E que o trabalhador deve fazer o possível para sacar seu fundo de garantia - naturalmente dentro do permitido por lei - e fazer bom uso dessa grana. Foi dito também que o pior lugar para o FGTS é o depósito onde ele originalmente está.
Tem lógica essa observação, principalmente porque o dono do dinheiro não tem chance de exercer a menor influência sobre ele. A gestão do FGTS não é discutida sequer com os sindicatos hoje totalmente engejados no Governo. Não é brincadeira, os saldos do fundo passam dos R$ 200 bilhões.
O Fundo de Investimento em Participações do FGTS aplica parte desse dinheiro dos trabalhadores em opções que rendem pouco. Uma dessas opções é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A remuneração máxima que o FGTS consegue é 6% ao ano, corrigido pela TR, taxa referencial. No entanto, o próprio BNDES pode pagar uma taxa mais justa. Se o governo quiser, o FGTS passa a ser aplicado em debêntures da BNDESpar - subsidiária do próprio BNDES. Neste caso, o rendimento seria de 7.5% ao ano mais IPCA amplo, que é o índice nacional de preços ao consumidor. É mais abrangente inclusive.
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) faz ressalvas à remuneração (baixa) do FGTS. Ao abordar essa questão, a Agência Estado, do Jornal o Estado de São Paulo, aponta outro dado a ser discutido. A Caixa Econômica Federal (CEF) cobra 1% de taxa de administração do FIP - que gerencia as aplicações do FGTS - ''fora o que ganha para gerir o fundo''. A CEF refuta as críticas dizendo que o relatório da CCU é ''preliminar''.
Sobre o assunto também o jornal O Estado de São Paulo observa: A falta de transparência torna mais difícil o acompanhamento da gestão do fundo, que investe em papéis não cotados no mercado. Neste caso basta seguir orientação da Controladoria Geral da União (CGU).
Uma fonte abundante a ajudar gestões, no mínimo, discutíveis. No ano passado, o BNDES procurava recursos de baixo custo para socorrer clientes ameaçados pela crise. Encontrou parte no dinheiro do FGTS.

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