Quanto vale uma disputa
A imprensa londrinense e regional, ouvintes, telespectadores e leitores de jornais acompanham nosso reclamo pela falta de apoio e incentivo para uma bandeira solitária, a da reinserção da Portuguesa Londrinense no cenário futebolístico estadual em sua divisão de elite. Respeitadas as conveniências deste ou daquele torcedor ou anunciante, o importante, neste momento, é refletir sobre a importância econômica para o município de Londrina de ter um novo clube na Primeira Divisão do futebol, e talvez, com tal discussão, levantar não somente paixões ou afetos, mas sim descobrir interesses econômicos comuns para a comunidade.
Conquistando uma segunda vaga na divisão de elite do regional pois uma o Londrina Esporte Clube detém teremos crescimento econômico e financeiro, que se para muitos nada representa, para outros resulta em dinheiro circulante, arrecadação de impostos, ocupação e retorno para um número incalculável de pessoas anônimas.
Hoje, recebemos a visita de 11 equipes em nossa cidade. Em média são 35 pessoas por delegação. Ocorrendo o acesso novamente desta agremiação à Primeira Divisão, serão 20 equipes em nossa cidade, e haverá aumento em hospedagem, alimentação, abastecimento de ônibus, táxi, compras na farmácia, no supermercado, na loja de material esportivo etc.
Em uma cidade como Londrina, com inúmeras opções de lazer, gastronomia, hospedagem e passeios, teremos nada menos que 750 pessoas acrescidas em nossa economia, somente de atletas e comissões técnicas das equipes. E os veículos de comunicação trabalhando? Quanto representam? Temos neste universo de competição, o envolvimento direto de 48 emissoras de rádio AM/FM, com equipes de locutores, repórteres, comentaristas e pessoal de apoio, que serão multiplicados por dois.
Ou seja, no total teremos um acréscimo de outras 144 pessoas comendo, bebendo, comprando e consumindo Londrina e seus produtos. E o pessoal de jornal e televisão? Outras tantas 50 pessoas consumindo Londrina. Imagine-se ainda o aumento de gasto com telefonia e de transmissão, além das horas de navegação pela Internet. Quantas ligações serão acrescidas pelo batalhão de pessoas envolvidas, representando um aumento na demanda da Sercomtel?
Parece pouco o acréscimo de arrecadação em todos os sentidos? Nada representa? Será que hotelaria, telefonia, sistema financeiro, transporte, gastronomia, comércio fixo e ambulante, entre outras inúmeras formas de participação econômica no município não se dão conta da importância que um evento pode traduzir em números na economia?
Estes são números e dados externos, atraídos pelo simples fato das equipes visitantes atuarem em Londrina. Mas, e os números internos? Quantas pessoas estarão empregadas, recebendo salários mensalmente? Quantos supermercados, bancos, serviços de transportes coletivos, hospedagem etc., receberão as verbas destinadas pela própria rede de televisão que cobre o evento, algo em torno de R$ 130 mil, além da própria disponibilidade do clube, na manutenção do seu dia-a-dia? Será que este número não interessa ao município?
Será que a riqueza ostentada pela magnitude de Londrina tende a repelir tal capital circulante, expulsando dinheiro novo na praça, distribuição de renda e serviços, criação de alternativas de trabalho?
Aos amigos e aos críticos, este é o lamento em forma de perguntas e respostas objetivas, que fazemos de forma simples, mexendo agora com a comunidade de forma geral, que se não tem paixões futebolísticas, que tenha necessidade de renda, serviços e arrecadação de impostos. Estes números são reais, que movimentam e representam resultados financeiros de forma direta e indireta.
A Portuguesa Londrinense está sendo solidária com Londrina, cidade que pede representatividade em todos os aspectos, igual a outras do mesmo porte como Campinas, Ribeirão Preto, Florianópolis, mas que, através do trabalho de poucos, e sem o devido reconhecimento de muitos, luta bravamente para ocupar tal espaço singular e único: a única cidade do interior do Brasil a ter duas equipes profissionais na elite do futebol regional.
Mesmo que isso tudo represente muito para poucos, e que para muitos não represente nada, de forma direta, temos certeza que todos entendem de economia, e que com tal alerta, passem a apoiar de forma clara e objetiva a estes poucos. A Portuguesa Londrinense representa resgate social para muitos, mas muito mais, representa uma forma de fomentar economicamente Londrina em todos os sentidos. Isto é o quanto vale uma disputa.
- HELIO HENRIQUE DE CAMARGO é diretor-presidente da Associação Portuguesa Londrinense, que está disputando a semifinal da Série A-1 para acesso à Primeira Divisão do futebol paranaense





