Quanto iremos acelerar em 2012?
O ano passado não foi lá grande coisa sob o ponto de vista da economia. O crescimento das vendas do comércio em dezembro foi de 5,5%. Pouco se comparado com anos anteriores. A indústria também ficou longe de ter o seu melhor desempenho. No geral, podemos dizer que ao menos crescemos alguma coisa. O que já é interessante quando se considera o período de incertezas, crises e de pouco estímulo do consumo.
Ressabiados, boa parte dos consumidores preferiram pagar dívidas em vez de fazer novas contas no final de 2011. Outros tantos decidiram poupar em dezembro para aproveitar as liquidações, a melhoria da renda gerada pelo aumento real do salário mínimo e o impacto da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados sobre bens duráveis.
O retorno dos clientes às lojas teve reflexo imediato já nas primeiras semanas de janeiro, com aumento nas vendas de eletrodomésticos da linha branca. Conforme reforçou a FOLHA, em sua edição de ontem, a intenção de consumo das famílias também melhorou no início do ano. O índice medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) subiu 1,8% em janeiro em relação a dezembro de 2011. A questão é que tudo o que foi consumido neste início de ano foi produzido no ano passado e à custa, outra vez, de incentivos fiscais.
Para este ano, pelo menos o governo federal projeta um cenário um pouco mais animador. Vejamos. Logo nos primeiros dias de janeiro, o ministro Guido Mantega se apressou em adiantar que com a redução no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, projetado em 3,2% pelos bancos, a ordem agora é voltar a estimular o crédito para que o País retome a trajetória de crescimento mais robusto, sobretudo no segundo semestre.
A meta é crescer 4,5%, nível mínimo exigido pela presidente Dilma Rousseff. A ideia é contar, principalmente, com o motor das estatais Petrobras e Eletrobras para impulsionar a economia. Outra aposta são as obras de infraestrutura - como as concessões de aeroportos e rodovias - para acionar os investimentos do setor privado.
Resta saber se o plano governamental terá o resultado esperado ante um clima de incerteza que ronda as economias ao redor do planeta. Diante disso, a cautela é sempre necessária. A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, divulgou relatório econômico esta semana estimando que o crescimento global de 2012 deve ficar na casa dos 2,6%. Há seis meses, a expectativa era de um avanço de 3,6%.





