A quantidade e a frequência das relações sexuais são uma questão que aflige muito mais os homens do que as mulheres. A idéia de que um grande número de relações sexuais numa mesma noite é um verdadeiro certificado da ''potência'' de um homem é um dos grandes mitos da sexualidade masculina. É a falsa idéia do ''quanto mais, melhor'', que no fundo esconde um interesse em reafirmar a sua superioridade e submeter a mulher. Homens com esse perfil saem com as mulheres para se exibir ou contar aos amigos e, não como um investimento afetivo.
Na verdade, a satisfação sexual está muito mais ligada à qualidade do relacionamento do que ao número de relações. Se o homem e a mulher não estiverem verdadeiramente disponíveis e entregues ao sexo, a vivência do orgasmo tende a ser pobre e pouco satisfatória. Um casal que tem um bom entendimento e se entrega às carícias, ao toque afetivo e às brincadeiras amorosas pode vivenciar um sexo pleno e altamente satisfatório. Mesmo que tenham uma só relação, ela certamente será de boa qualidade.
Há casais que fazem sexo todos os dias, enquanto outros têm uma frequência que varia de uma a duas relações por semana. Mas também há os que fazem sexo uma vez por quinzena ou uma vez por mês e se dão por satisfeitos. Todas essas situações são normais e comuns.
Evidentemente, após muitos anos de vida em comum, todo casal enfrenta períodos de uma certa acomodação, nos quais o homem tem menos desejo e a mulher também. Nessas situações de crise, é importante não escamotear o problema e conversar abertamente, por mais difícil e complicado que possa ser. O casal deve levantar todas as possibilidades, para identificar a fonte do conflito, que pode ser o stress da vida moderna, a sobrecarga de trabalho de cada um, a falta de dinheiro, filhos etc.
Para avaliar a qualidade do seu casamento ou da sua vida sexual, procure observar se ele lembra mais um jogo de tênis ou uma partida de frescobol na praia. No frescobol, não há vencedores nem vencidos. Quando um jogador erra ou devolve a bola com mais força, imediatamente se pede desculpa e o jogo continua gostoso. O importante não é vencer, mas estabelecer um relacionamento prazeroso. Já o tênis se caracteriza pela competição acirrada, com a preocupação explícita em derrotar o adversário, devolvendo uma bola difícil para superar o outro, como às vezes ocorre em muitos casamentos.
Também é importante saber que cada ser humano tem um ritmo sexual próprio, nem sempre explicável: é biológico, educacional ou hereditário? Além disso, o desejo passa por fases de transformação na vida de um casal. Se eles estão vivendo uma fase de muito trabalho ou pouco dinheiro, é normal que estejam preocupados e com o desejo em baixa. Contudo, na semana seguinte, eles podem entrar numa fase de relaxamento e passar a ter relações sexuais mais constantes.
O desejo faz parte da vida como um todo, não podendo ser visto como algo à parte, um botão que se aciona num piscar de olhos. Não se pode ficar marcando na folhinha os dias em que houve relação sexual. Quando alguém acha que está fazendo menos sexo do que gostaria, a melhor saída é abrir o jogo com a parceira ou parceiro e tentar chegar a um acordo satisfatório para o casal.
De qualquer forma, vale a pena estimular mais os momentos de intimidade, despertando o desejo do outro. Para isso, é preciso esquecer totalmente esse mito da quantidade e dedicar-se inteiramente à construção de uma relação mais verdadeira, na qual o afeto e o sexo andam de mãos dadas.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ''A pílula do prazer''

mockup