Andando em velocidade de tartaruga, a escola pública hoje já não entende o estudante brasileiro. Enquanto o ensino permanece preso à pedagogia do século passado, com suas práticas arcaicas e ultrapassadas, os alunos já arrebentaram há muito tempo as portas do século XXI. Resultado: a educação formal é cada vez menos atrativa e afeta a economia do País de maneira contundente.
Nas ecolas, a sala de aula é uma espécie de clausura para aqueles que já nasceram cercados por uma realidade altamente tecnológica. No Paraná, o máximo de tecnologia existente nestes espaços são as chamadas ''TVs pen drive'', monitores de TVs laranja de 20 polegadas trancafiadas em uma espécie de jaula em um cantinho próximo à lousa. Salas de informática, infelizmente, ainda são muito pouco utilizadas. Faltam técnicos para fazer a monitoria das turmas e boa parte dos professores carece de capacitação para conseguir tirar todo o proveito pedagógico que a informática poderia oferecer.
Na edição de ontem, a FOLHA mostrou dois exemplos que reforçam a importância de uma educação de qualidade para a Nação e de quão nefasto para o Brasil é o problema.
O jornal escancarou a questão em sua manchete, apontando que a evasão no ensino médio estadual beira os 50%. Ou seja, quase a metade de nossos estudantes secundaristas - chamados hoje de nativos digitais - abandona a escola nesta etapa da vida estudantil. O número confirma o descompasso entre a realidade dos alunos e a realidade escolar. Enquanto a primeira grita por mudanças, a segunda patina na inércia e na burocracia.
Para quem acha que o problema da evasão afeta apenas aqueles alunos que desistem das aulas, vamos ao segundo exemplo. Em seu artigo diário na FOLHA, Celso Ming discutiu os entraves que brecam o crescimento da economia brasileira e citou advertência feita pelo renomado economista Edmar Bacha. Um dos idealizadores do Plano Real citou que um dos grandes entraves para que o País volte a crescer mais do que 4% ao ano é a ''precariedade do grau de educação da população'', comparável em nocividade à lentidão na incorporação de novas tecnologias e o baixo nível de poupança (equivalente a cerca de 17% do Produto Interno Bruto).
Portanto, é mais que urgente a necessidade de ajustamente de nosso modelo pedagógico, de capacitação constante de nossos professores e de modernização de nossas escolas, para atender as demandas novas exigidas pelos nossos alunos e também pela nossa economia.

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