Campanhas eleitorais sempre foram uma ilha de fartura aqui neste País de aperto. Jatinhos, produções de TV hollywoodianas e moças de agência de modelo agitando bandeira na esquina. Uma facilidade de gastos estranhamente inversa à situação que espera os candidatos nos cargos que almejam. Não há administração pública no Brasil em que não se fale de cortar despesas.
É bom lembrar que nem todos os candidatos sabem o que é dinheiro fácil. Mas em todas as eleições recentes houve os privilegiados. Não se fez segredo. PC Farias revelou que no segundo turno de 1989 empresários despejaram dinheiro na campanha presidencial de Fernando Collor para impedir a vitória de Lula.
Nesta eleição para prefeito, porém, houve mudança. Em julho, políticos dos grandes partidos reclamavam que as campanhas estavam demorando para deslanchar por falta de recursos. Profissionais de marketing político confirmam a escassez. É o que conta por exemplo, o publicitário Chico Santa Rita. Ele participou neste ano da campanha do prefeito reeleito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB). Em 1989, ajudou Collor a chegar ao Planalto.
‘‘Acabaram-se as burras cheias, as malas pretas que visitavam as produtoras de programas eleitorais. O custo e o preço passaram a ser aquilo que sempre deveriam ter sido, democraticamente’’, relata Santa Rita.
Não se pode tachar toda essa dinheirama de ilícita. Empreiteiras e bancos, afinal, sempre declararam doações à Justiça Eleitoral. Mas a generosidade às vezes vira fraude mais tarde, quando o candidato passa a administrar investimentos públicos. Assim, é no mínimo tranquilizadora para os brasileiros a redução da fatura eleitoral.
Mesmo nos casos das campanhas ricas de políticos honestos pode haver prejuízo para o País. Porque há grande risco de a escolha ser injusta. Vence quem tem mais recursos, não o melhor candidato.
Note-se que nesta campanha houve mudança no perfil dos eleitos. Candidatos de esquerda com menor experiência e menos recursos que os adversários conseguiram chegar ao pódio em muitas cidades do País. Se o desempenho dessas pessoas nas prefeituras será melhor que o dos políticos tradicionais, só se poderá descobrir de modo empírico.
As campanhas mais sóbrias ajudam a amadurecer outra idéia: a do financiamento público dos candidatos. Parece absurdo para alguns a idéia de tirar dinheiro de obras, da educação e da saúde para gastar em programas de TV e panfletos. O resultado, porém, poderá ser obras mais baratas e serviços públicos melhores.
A discussão sobre o financiamento público das campanhas acontece ao mesmo tempo no Brasil, nos Estados Unidos e em países europeus. Em questão eleitoral, aliás, o sucesso da urna eletrônica já nos deixou com um pé no Primeiro Mundo.
- PAULO SILVA PINTO é jornalista em Brasília

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