Não é novidade, no Brasil, o envolvimento de policiais com a criminalidade, mas o fato ontem divulgado por este Jornal ultrapassou os limites: dentre 47 pessoas presas numa operação em seis municípios do Oeste do Paraná por acusação de contrabando, descaminho e tráfico de drogas, 44 eram policiais. Pode-se dizer a quadrilha inteira. Os outros três eram dois vereadores e um vice-prefeito, portanto também autoridades públicas. Um empresário, também acusado e que seria o chefe do bando, conseguiu fugir antes e estaria no Paraguai.
Suspeita-se que o caso tenha ligação com o atentado sofrido na semana passada pelo juiz federal de Umuarama, Jail Benites Azambuja. Ele comandava as investigações sobre esse grupo, em cooperação com o Ministério Público, e o automóvel em que se encontrava, em companhia de um funcionário da Justiça, foi metralhado. Como eles não foram atingidos, a intenção pode ter sido apenas intimidar o magistrado. Mas, apesar disso, as diligências prosseguiram, até que um contingente de 166 policiais federais, civis e militares, conseguiu desmantelar quase a gangue inteira. Um tenente da PM e outros homens foram presos como suspeitos do atentado. A investigação agora, sobre essas quatro dezenas de policiais, enfocará a participação deles como facilitadores daquelas operações criminosas, porque no total foram expedidos 51 mandados de prisão. A denominação que se dê a esse envolvimento dos policiais é irrelevante, porque isso não os exime da condição de quadrilheiros. Um detalhe pitoresco é que, com a prisão de tantos agentes, o policiamento naqueles seis municípios ficou desfalcado, e ironicamente a população deve sentir-se mais protegida com a ausência deles. No caso, a presença desses homens da ''segurança'' pública constituía um perigo e não uma proteção.
Aquela região do Paraná, próxima da fronteira com o Paraguai, é mais propensa a ilicitudes do gênero aqui apontadas justamente pela sua posição geográfica, mas isso não diminui a perplexidade pela presença de tantos policiais envolvidos nesse episódio. Se com a presença de policiamento honesto já é difícil conter a criminalidade, imagina-se o grau de insegurança dos cidadãos quando constatam que, revestido pela farda, pode estar escondido um delinquente.
As fórmulas para se ter uma boa Polícia são, sem dúvida, um rigoroso selecionamento prévio, até se esgotarem todos os requisitos exigidos, e bons salários, porque ganhando bem um policial pensará duas vezes antes de se envolver em irregularidade e correr o risco de perder o bom emprego.

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