‘‘Guru da reengenharia de empresas se arrepende’’. Michael Hammer admite ter esquecido um fator crucial em suas teorias: as pessoas.
Essa manchete do ‘‘Jornal da Tarde’’, de 11 de dezembro último, saltou aos meus olhos como um relâmpago. Nada que não soubéssemos, mas a nudez da confirmação nos surpreendeu: ‘‘Eu não levei em conta, o suficiente, a dimensão humana. Aprendi que isso é crucial’’, declarou Hammer ao ‘‘Wall Street Journal’’. Mas adiante diz a matéria: ‘‘Uma pesquisa da Associação de Gerências Americanas concluiu que menos da metade das companhias que fizeram downsizing nos anos 90 teve aumento de lucros nos anos seguintes. E menos ainda tiveram aumento de produtividade.
Na condição de dirigente sindical, reflito sobre os milhares de trabalhadores que perderam seus empregos, em todo o mundo, por conta dessas modernas teorias de redução de custos, e me pergunto: quem vai se lembrar deles agora, quem vai indenizá-los pelos danos sofridos, moral e economicamente, quem vai responsabilizar pelo bem estar econômico de suas famílias, agora, quem sabe, lançadas ao subemprego, à marginalidade?
Notícias como essas - hoje isoladas e amanhã, quem sabe e infelizmente, estampadas em todas as manchetes -, vêm confirmar que os ventos que alçam nossas bandeiras estão soprando em direção correta. Precisamos criar antídotos contra ondas e modismos, como esses que, aparecem, devassam nossas conquistas como trabalhadores, como cidadãos e, impiedosamente se vão, sem sofrer consequências.
O 1º Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais, que a Coordenação Confederativa dos Trabalhadores promoveu em Brasília, nos dias 26 e 27 de novembro, reuniu 2.640 dirigentes sindicais de todo o país, que representaram 1.416 sindicatos, 152 federações e 11 confederações - onde temos a honra de incluir a Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), para discutir questões sociais de grande relevância e aspectos do neoliberalismo que, de uma forma ou de outra, vem atingindo a todos. O 1º Encontro é um dos marcos que precisam ser registrados e repetidos no movimento sindical brasileiro, como testemunho de consciência união e força, para podermos defender os legítimos interesses das classes trabalhadoras do país.



Os ventos que alçam
nossas bandeiras
estão soprando em
direção correta


Como resultado da união nacional dos dirigentes sindicais, nasceu uma proposta formal, que temos a honra de assinar, e que será entregue às autoridades brasileiras como um grito de alerta. Nessa proposta destacamos que o neoliberalismo é uma nova ordem, travestida de modernidade, que se pretende seja o remédio infalível para o desenvolvimento do país, quando na realidade observamos o contrário: ‘‘Da prosperidade global acenada pelo neoliberalismo, temos como resultados miséria, violência, desemprego e desamparo dos empregados e aposentados, sucateamento das micro, pequenas e médias empresas, acelerada deterioração do salário, do emprego e da renda, além da abertura do mercado nacional à competição desleal, sob o argumento de que a competitividade reduz preços, ajuda o combate à inflação, beneficia o consumidor e gera empregos’’.
Em nome da diretoria da entidade que presido hoje, fica o mesmo questionamento, com relação à notícia do jornal: quanto custará, não aos cofres públicos, mas ao cidadão comum, que trabalha todos os dias e paga os seus impostos, a defasagem dessa nova ordem política, ‘‘arquitetada para dar lugar ao capital e ao lucro, em detrimento do bem-estar social’’, nos anos vindouros?
Nesse 1º Encontro Nacional discutimos ainda a ‘‘Estrutura e Organização Sindical’’, procurando saídas compatíveis com os novos tempos, preservando as conquistas. Debatemos sobre a ‘‘Política de Empregos’’, propondo uma política nacional articulada para a geração de emprego e renda, com a participação do governo, de empresários, dos trabalhadores e dos sindicatos, em conjunto, buscando um ponto de equilíbrio e desenvolvimento para todos. Enfocamos a ‘‘Previdência Social’’ e o seu futuro, que pode ser promissor, se forem expurgados os vícios administrativos que a mantém em constante estado de penúria e ameaça de quebradeira.
Não nos enganemos, as teorias passam, mas os seus estragos ficam, indelevelmente marcados no cotidiano daqueles que vivem na prática.

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