Quando o trem vira estorvo e tragédia
Em primeiro lugar, vamos ao que pensam nossos leitores em suas cartas. Um padre, de Rolândia, alerta que tragédias como a de Cambé podem acontecer na sua cidade. Um comerciante, de Cambé, pergunta de quem é a culpa. De Apucarana, a professora quer saber até quando isto continuará acontecendo impunemente.
No mundo inteiro, o transporte sobre trilhos é econômico e seguro, para passageiros e cargas. Ninguém prescinde desse meio eficaz, alvo de investimentos e constante atualização tecnológica. Mas, no Brasil, o trem virou um estorvo. Basta verificar o tratamento que recebe das cidades que se sentem cortadas pela linha férrea.
Os políticos locais sempre ambicionam um projeto grandioso para removê-la do centro, mas não fazem o mínimo, que seria prover de segurança os locais onde convivem pessoas e máquinas. Se tivessem pelo menos essa preocupação, evitariam tragédias que ocorreram em vários municípios do Paraná, nos últimos anos.
A falta de investimentos no trem leva ao abandono também a linha e o suporte da estrada, carentes de manutenção. Com o sucateamento das máquinas e vagões, renuncia-se aos investimentos e conservação de trilhos e dormentes - aquelas vigas transversais em que se assentam os trilhos. O abandono, portanto, se dá no atacado.
Tanto descaso que o trem vira inimigo da sociedade. Que pena! Apesar de lento, quase parando, o trem consegue mutilar pessoas, matar crianças. E não adianta jogar culpa na América Latina Logística. Ela é a dona do patrimônio que administra a distância e se permite correr o risco de vê-lo dilapidado. Problema dela.
Já o problema das autoridades locais é com a segurança de pessoas. Elas têm que proteger vidas nada distantes. São seus vizinhos, seus escolares. Se a ALL aceita a depreciação dos seus equipamentos, como um risco calculado, que as autoridades locais adotem o risco zero quando o assunto são vidas.
Cenas comuns no Paraná pessoas convivendo com ônibus, trens e outros veículos. Para evitar perigos seriam necessários investimentos pesados que, no caso do trem, a empresa, diz que vem fazendo. Uma coisa são os elevados investimentos em infraestrutura, logística, etc. Outra, bem mais simples, são medidas para proteger crianças, pedestres em geral e motoristas distraídos.
Enfim, atribuições dos municípios e do Estado não exigem obras gigantes que demandem anos. Basta pensar em segurança. Basta proteger a vida.





