Quando o perigo são os pais
Um casal que visitava um shopping em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, na última quinta-feira, decidiu tirar uma foto da filha, de apenas nove meses, em uma escada rolante. Nessa primeira frase, o leitor já deve imaginar a tragédia. O bebê acabou se enroscando no equipamento e teve o braço direito arrancado na altura do cotovelo. Ontem, a criança seguia internada em um hospital daquela cidade.
Como uma perícia realizada inicialmente mostrou que não há problemas técnicos com a escada rolante, provavelmente, os pais serão responsabilizados pelo acidente. A Polícia Civil, inclusive, abriu inquérito para apurar a fatalidade.
A intenção, aqui, não é reforçar a imagem dos pais como negligentes. Infelizmente, a culpa será uma companheira desse casal por muito tempo. Este ano, outro caso semelhante chocou o País. Um garoto de 11 anos teve o braço totalmente arrancado por um tigre, no zoológico de Cascavel, na região Oeste do Paraná. O menino estava acompanhado do pai e, mesmo assim, se aproximou da jaula para acariciar o felino.
Todos os dias acontecem acidentes com crianças e adolescentes em todo o mundo e muitas acabam em mortes ou sequelas permanentes. O que mais chama atenção das autoridades que investigam as ocorrências é o fato que muitos acidentes poderiam ser evitados se os pais ou responsáveis prestassem mais atenção nos pequenos detalhes nas casas, nas escolas e nos ambientes de lazer, como zoológicos ou shoppings.
No dicionário, acidente consta como um acontecimento casual, inesperado. Mas não significa que ele não possa ser evitado. Isso fica bem claro ao analisar os dois casos citados acima. O brasileiro, infelizmente, não tem o costume de prever os perigos que se apresentam no dia a dia e antecipar atitudes de risco em crianças e adolescentes. Esse comportamento negligente está relacionado a alguns fatores culturais, como o baixo nível de educação e a falta de informação.





