Quando o mercado é lúcido
Bastou a mudança de governo no Paraná e o mercado sinalizou que há a melhor das expectativas: basta verificá-lo na valorização patrimonial da Copel. Não precisou nenhum édito para que houvesse esse resultado e muito menos que a estatal indicasse novos rumos a não ser o de que continuaria disputando leilões e não deprimindo as tarifas como se fazia anteriormente, ainda quando respaldadas em decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica.
Se com o Porto, de dimensões menores do que a ''joia da coroa'', houve farta intervenção entre as quais a mais estúpida de todas com o fundamentalismo xiita contra os produtos geneticamente modificados, dá para imaginar quais as consequências de acusar a Usina de Gás de Araucária de condenada a explodir, também sem qualquer embasamento técnico-científico, o que levou a demanda à corte arbitral de Paris em que correríamos o risco de perder o equivalente a US$ 500 milhões para a El Paso, multinacional, responsável pelo empreendimento, hoje explorado em convênio pela Petrobras.
Aliás o mercado dá lições sistemáticas nos governantes. Isso já havia ocorrido com Jaime Lerner quando da licitação da Copel. Ao contrário do que propalam os políticos, especialmente os cultores do mito das barricadas, quem o impediu foi o mercado em função do ataque às torres geminadas em Nova York e ao apagão detectado no Brasil. A Lei de Iniciativa Popular que impedia a venda da estatal foi derrotada dramaticamente no Legislativo pela costumeira e sistemática subserviência diante do Executivo. Também na fanática onda do bloqueio aos transgênicos em pouco tempo se observou que a movimentação no Porto alcançava os 90% dos grãos proibidos e dá para constatá-lo na área cultivada com soja com o predomínio da tecnologia combatida.
O governo de Beto Richa se comprometeu em facilitar e estimular inversões nacionais ou estrangeiras e isso é suficiente: um novo clima sem bravatas.





