O fetiche é uma forma de fantasia, que pode ser representada por uma parte do corpo, como seios, pés, nádegas, umbigo, orelha; por um objeto, como sapatos, chapéus, cuecas, meias, luvas, calcinhas; por um material específico, como couro, borracha, pelúcia.
Na verdade, esses elementos estão associados a uma sensação de carinho e de intimidade, representando uma espécie de prolongamento do corpo, um complemento para a busca do prazer. Contudo, podem se transformar em um problema para a vida sexual, caso a pessoa não consiga se estimular sem os fetiches.
Na maioria das vezes, o homem é mais fetichista, enquanto a mulher aceita e entra no jogo, talvez por se mostrar atualmente mais curiosa sexualmente. Em geral, ele é ligado em imagens da infância, nas roupas que a mãe e as irmãs usavam na intimidade, em experiências - que ficaram na sua memória e no seu inconsciente e que mais tarde desencadearam excitação sexual.
Uma pequena dose de fetichismo é muito estimulante. Qual é o homem que não se excita com uma mulher usando meias com ligas, um sutiã diferente ou uma roupa transparente? São ingredientes que aumentam o desejo e a erotização do casal.
O problema surge no momento em que a pessoa começa a depender exclusivamente do fetiche para se realizar sexualmente, quando ela só consegue se excitar com o fetiche. Esse é um distúrbio da personalidade que leva a distorções do prazer.
De fato, na origem do fetiche existem comportamentos imaturos, falta de desenvolvimento afetivo e precário envolvimento psicológico e sexual. É comum homens com falhas de ereção, usarem o fetiche para se excitarem através da masturbação. Outras vezes, isso acontece com homens que têm conflitos relacionados à bis-se-xualidade ou que estão com baixa ou ausência de desejo.
Quando o fetiche se transforma numa patologia, com um grave comprometimento emocional, a pessoa precisa de ajuda psicológica para se reestruturar e poder desfrutar dos prazeres sem maiores conflitos.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

mockup