Pobre de nós, mortais... É só São Pedro inventar que não vai mandar chuva ou mandá-la em excesso, que o reflexo bate direto no bolso de consumidor. Tudo bem que hoje, a tecnologia já nos permitiu descobrir que o santo padroeiro dos pescadores não é o grande responsável pela estiagem, mas bem que ele poderia ter dado uma ajuda e mandado água e sol na época certa para os produtores agrícolas. Se assim fosse, as coisas estariam bem mais tranquilas por aqui e nossa cestinha do supermercado ficaria um pouco mais sortida.
Ao que se sabe, as turbulências climáticas tem relação mesmo com o fenômemo La NiÀa - caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico -, que acabou trazendo menos água para o Sul e mais chuva para outras regiões. O reflexo foi que boa parte das plantações de grãos, que estavam em pleno desenvolvimento, minguou e a produção final deverá ficar bem abaixo das expectativas iniciais. Enquanto isso, nos Estados do Sudeste as enchentes provocaram danos tanto nas cidades quanto nos campos. Resultado: a inconstância no clima, mais uma vez, está doendo no nosso bolso.
A FOLHA trouxe em sua manchete de ontem que os preços dos alimentos estão em alta em janeiro. A saca de 60 quilos do feijão carioca, o carro-chefe no prato de grande parte das famílias brasileiras, subiu 49% nas últimas semanas. Nas prateleiras dos supermercados, a alta já foi repassada ao consumidor. A saca do milho, outra cultura afetada, aumentou 10% e a da soja mais 5%. Estes são produtos largamento produzidos no Sul, onde a seca castigou o produtor por semanas a fio. Somente nos últimos é que o tempo mudou e a chuva voltou a molhar as plantações. Um pouco tarde para boa parte dos agricultores.
Nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), os preços também estão mais salgados, principalmente em relação as folhosas. Neste caso, o que atrapalhou foi a combinação de água em abundância com sol forte. A alface, por exemplo, cozinhou no campo.
Difícil para quem consome é alterar tanto o cardápio a ponto de evitar os produtos que estão puxando as altas. Enquanto o clima na boca do caixa do supermercado não melhora, o jeito é ir se adaptando e lançar mão do velho, mas eficiente artifício de substituir um produto por outro sempre que a situação se complica.

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