ESPAÇO ABERTO -

Quando o amor acaba


De todas as virtudes, a que mais conta para o êxito de um casamento é a tolerância. Ninguém ignora que todos temos defeitos, razão pela qual é indispensável ser tolerante para com as imperfeições do parceiro e, dessa forma, manter o matrimônio vivo, ativo e em harmonia. Mas nem sempre isto acontece e o relacionamento que pretendia ser eterno acaba em desrespeito, agressões e ressentimentos. 


Nesse contexto, tente imaginar um casal com filhos e separados litigiosamente, programando as férias ou as festas de final de ano, quando cada membro do ex-casal pretende incluir os filhos de ambos nos seus festejos. Via-de-regra, o tempo fecha. Os filhos, contrariados, assistem confusos sem saber qual partido tomar. 




No desfecho da contenda, um dos pais leva a melhor, deixando contrariada a outra parte que, inconformada, fica imaginando seus filhos curtindo momentos felizes com o desafeto e planeja ter melhor sorte em outra oportunidade, devolvendo a contrariedade. 


Por causa dessa mágoa enrustida, muitos casais protagonizam agressões lastimáveis na presença dos filhos, cada qual desejando o pior para o outro, uma atitude típica de quem busca a vingança acima de tudo, mesmo sabendo que essa atitude o prejudica também. 


Mesmo assim, pior do que uma separação litigiosa é a manutenção forçada de um casamento que não deu certo, mas que, por razões econômicas, religiosas ou sociais, o casal vê-se na contingência de manter a fachada de relacionamento estável, apesar do desejo mútuo de verem-se pelas costas. 


A violência destrói o que ela pretende defender, escreveu o Papa João Paulo II. No presente caso, ela destrói o respeito e o amor que os filhos deveriam ter pelos pais, resultando numa família destroçada, protagonizada por um casal reduzido a um poço de mágoas e ressentimentos. 


Seria racional e minimamente civilizado que os ex-cônjuges se tratassem como amigos - amantes que foram - possibilitando confraternizações conjuntas com os filhos, que nada têm a ver com a desarmonia dos pais. 


Se bem existem os divorciados raivosos e magoados, também há os separados companheiros e respeitosos, que ao invés de se agredirem, se apoiam mutuamente. Não deveria ser utopia imaginar ex-cônjuges, acompanhados de seus novos pares, confraternizando habitualmente, incluindo férias conjuntas, como estratégia para manter os filhos de ambos unidos. 


Dessa forma, uma ex-mulher e seu atual marido e um ex-marido com sua atual mulher seriam vistos com naturalidade em confraternizações com os filhos comuns, mais os que vieram do relacionamento posterior, formando uma galera conhecida como “os meus, os teus e os nossos”, todos confraternizando numa boa. 


“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa). 


Amélio Dall'Agnol, PhD, pesquisador da Embrapa Soja 

 


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