Ao menos no corpo das leis não existe no Brasil a divisão de pessoas por castas, mas seria ingênuo dizer-se que distinções entre classes não existem. Hoje mesmo trava-se nos Estados Unidos uma eleição que distingue candidatos por questão racial e delimita fortemente, mais uma vez, as denominadas minorias e as elites, representadas politicamente, com mais evidência, pelos democratas e pelos republicanos. A classe dos pobres é obviamente a parte mais fraca dessa bipolaridade, por isso mantém-se vivo o eterno discurso pela causa da igualdade de direitos e de benefícios, em todos os pontos do planeta.
Em Londrina - cidade que está na ordem do dia pelo tumulto do que aconteceu após a realização do 2º turno das eleições - mais acentuou-se o poder eleitoral das camadas sociais menos favorecidas, porque foi essa comunidade mais frágil economicamente que decidiu quatro eleições do mesmo prefeito em Londrina. Fala-se de Antonio Belinati. Sob esse aspecto, esse segmento social revelou-se forte e decisivo.
O episódio de impedimento que ora ocorre, não elimina a liderança popular desse político, que por 11 vezes foi guindado ao poder em diferentes postos eletivos, mas o desvirtua. A razão do florescimento de líderes carismáticos - que geram ao mesmo tempo seguidores fanáticos e antagonistas ferrenhos - é, antes de tudo, o pouco cuidado das elites políticas e sociais com a pobreza. As consequências são inevitáveis na hora do voto, e nem denúncias de improbidade administrativa demovem a posição desse eleitorado fiel. O caso do candidato ora eleito demonstra ademais que seus eleitores não votam em partido mas na pessoa, porque são diversas as corporações e coligações políticas às quais Belinati pertenceu. O aspecto triste - mesmo que um grande volume de eleitores já demonstrou não dar muita importância a isso - é o desvio desse líder inconteste para ilicitudes no exercício de seu último mandato de prefeito, envolvendo companhias perigosas e corrupção.
É um lamentável desperdício de oportunidade menosprezar a dádiva de uma liderança e derivar para a causa de valores baixos e indignos. A causa perdida não é a de uma eleição que desmorona mas sim a da frustração ante homens públicos que despontam com liderança e que poderiam, tão bem, seguir pela trilha da retidão e serem admirados por todo o povo.

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