Quando chega a hora de estabilizar
Na Softmarketing - empresa de call center -, dos 446 funcionários no teleatendimento, cerca de 12% são repostos por mês. A gerente de Recursos Humanos (RH) Francilene Pessoa Padilha explica que o ramo serve de primeiro emprego para jovens por não exigir experiência anterior. "Muitos desistem depois de um tempo porque vão seguir outras carreiras ou não se adaptaram ao ritmo", diz.
No processo seletivo da empresa, segundo Francilene, há o cuidado de observar se o candidato já passou por muitos locais anteriormente e quais foram os motivos. "Como vamos investir em treinamento nosso objetivo é fidelizar o funcionário"salienta ao lembrar que apesar da pressão que o atendente sofre todos os dias, o retorno ao call center é sempre uma opção devido a grande oferta de vagas. "A rotatividade é natural e contornável no telemarketing".
Na Sofhar Gestão e Tecnologia, de maneira geral, o negócio é desenvolver projetos tecnológicos para clientes, em boa parte grandes empresas. A cada projeto, um certo contingente de analistas é designado para funções. De acordo com o tamanho do projeto, é uma praxe de mercado contratar temporários para dar conta dos prazos de entrega do produto a ser desenvolvido. É aí que a rotatividade entra em cena na área de tecnologia da informação. "Quem demostra comprometimento, competência e qualidade técnica costuma ser absorvido", comenta o presidente da empresa Wilmar Prochmann.
O presidente da empresa explica que o mercado de informática não vê com maus olhos quem já "pulou de galho em galho" porque entende a dinâmica dos projetos: se ao final, a empregadora não absorver o funcionário para outros trabalhos, o profissional será dispensado e novamente à procura de oportunidades específicas.
Para o analista de sistemas Eduardo Ramiro de Assis, há 14 anos na área, pular de emprego em emprego foi uma fase de incertezas. Em 2000, ele ingressou na equipe da Sofhar e três anos depois optou em conhecer outras áreas e trabalhar temporariamente em diversos locais. "Foi uma experiência gratificante para me conhecer melhor como profissional e traçar objetivos. Mas agora, eu prefiro a estabilidade", lembra. Esta busca levou um ano quando um novo convite para voltar à equipe da Sofhar foi aceito prontamente. De lá para cá, já trocou da área de desenvolvimento para infraestrutura e tem mais tempo para investir no aprimoramento da carreira. "No meu ramo tem muita gente que vive de projeto, é natural. Mas nestas condições, dificilmente a pessoa conseguirá fazer cursos de atualizações que são dados por empresas somente aos funcionários efetivados. É uma luta diária para conquistar novas vagas. As empresas contratam temporários que emitem nota fiscal porque o tributo é menor, mas não dá para ficar assim a vida toda", analisa. (C.P.)





