Quando chega a hora de 'chutar o pau da barraca'
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A professora de inglês Fátima Giogetti, 49 anos, passou 12 anos trabalhando de 13 a 14 horas por dia. Mas a falta de tempo para atividades pessoais e o cansaço acabaram cobrando seu tributo. ''Comecei a ficar doente. Fiz um exame de sangue de rotina e fiquei chocada com o resultado'', relembra.
Na conta do estresse de Fátima ficou faturada uma gastrite, colesterol alto, insônia e uma dor generalizada no corpo. ''Eu não tinha tempo para nada, nem para ir no médico'', afirma.
Preocupada com a própria saúde, a professora decidiu ''chutar o pau da barraca'' e abrir mão da jornada interminável de trabalho. ''Deixei o emprego e resolvi trabalhar como autônoma'', explica. O resultado? ''Estou me sentindo muito melhor''.
Para a psicóloga organizacional Mariana Patitucci Bacellar, quem está sobre forte estresse precisa avaliar sua própria situação. ''É importante que o profissional descubra qual é a fonte desse desconforto para poder lidar melhor com a situação'', explica.
Em casos mais críticos, a solução pode ser mesmo radical. ''Às vezes a pessoa descobre que está infeliz porque não gosta do que faz ou porque está numa situação limite'', avalia.
No entanto, nem sempre lidar com o estresse exige rompimento tão drástico. ''A pessoa precisa entender que ela não consegue mudar o ambiente nem as pessoas, então o que é possível é mudar a própria postura em relação ao problema'', explica.
Foi o caso do publicitário Robson Marochi, 33. Em 14 anos de vida profissional, Marochi aprendeu a lidar melhor com os desafios do dia-a-dia. ''Ainda estou longe do ideal, mas já sei quando preciso parar, me afastar do problema'', conta.
Quando enfrenta um grande desafio, o publicitário costuma fazer pausas para tomar café, respirar. ''Mas não consigo ficar indiferente às dificuldades'', confessa. O estresse no trabalho tem reflexos visíveis para Marochi. ''Fico com a mão descascada, a gastrite piora e acabo comendo mais do que devia'', conta.
Mas como já sabe o que o deixa estressado, o publicitário tenta contornar o problema da melhor forma possível. ''E estou fazendo isso sem remédios, o que acho importante'', diz.
Para quem quer aprender a lidar com o estresse sozinho, a psicóloga Mariana recomenda algumas atividades simples. ''Fazer exercício físico com frequência é importante'', aponta. Reservar tempo para atividades pessoais também é recomendado. ''A pessoa precisa ter espaço para se dedicar a outras coisas além do trabalho'', diz.
Outra recomendação é criar uma ''válvula de escape''. ''Se o ambiente de trabalho não permite que o profissional tenha uma forma de descompressão, ele mesmo pode procurar um hobby, uma atividade na qual consiga relaxar, se desligar dos problemas e prazos'', recomenda. Em casos mais graves, a psicoterapia também é recomendada.
Em situações de grande tensão, Mariana recomenda uma pausa. ''Se o profissional está se sentindo pressionado, o ideal é que ele deixe o local de trabalho por um momento e procure se afastar'', diz. ''Ele pode ir ao toalete, por exemplo, respirar e tentar se dissociar do problema'', propõe.
Nessas horas, diz a psicóloga, o fundamental é aprender a ''olhar de fora''. ''Uma vez que a pessoa consegue se dissociar da crise, consegue planejar melhor como vai superá-la'', adianta.
DICAS
Como lidar com o estresse:
- Aprenda a identificar o que o deixa estressado;
- Reserve tempo para atividades físicas;
- Tenha um hobby;
- Aprenda a se distanciar dos problemas;
- Reserve tempo para cuidar de você;
- Procure ajuda, quando necessário.
Fonte: Mariana Patitucci Bacellar, psicóloga


