Há um abismo incomensurável, como diria o poeta das trevas, entre o que pensa a OAB nacional e a sociedade, no tocante à corrupção no Poder Judiciário. A Ordem dos Advogados do Brasil acha que decretar a aposentadoria de um juiz corrupto ''é punição suificiente''.

Aposentar alguém porque praticou delitos é ''punição suficiente''? É possível que a sociedade interprete como prêmio. Mas a OAB acha que é punição.
Isso vai além do corporativismo; parece mais uma tase de defesa.

O importante é que a OAB tem uma proposta que a sociedade aprovaria. A entidade quer impedir que juiz afastado volte para advocacia. O presidente da Ordem, Ophir Cavalcante, acha que se ele (o juiz afastado e ''punido'' com aposentadoria) não serve para ser juiz, não servirá também para ser advogado''. A proposta será levada para o colégio dos presidentes seccionais da OAB, que acontece em Brasília no próximo domingo.

O caso exemplar, citado pela OAB, é o de dez juízes de Mato Grosso que foram aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Eles foram afastados do Tribunal de Justiça (TJ) acusados de desvios de recursos públicos para beneficiar uma cooperativa de crédito da loja maçônica Grande Oriente - diz a notícia da AE. O conselho também aprovou a abertura de novo processo para investigar o desvio do dinheiro e pedir a devolução da quantia (cerca de R$ 1,5 milhão) aos cofres públicos.

A cooperativa de crédito quebrou em 2004, quando foi descredenciada pelo Banco Central por falta de liquidez. Para atender aos correntistas os envolvidos buscaram recursos no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, por meio de pagamentos de créditos aos seus magistrados desde que tivessem desprendimento para emprestá-los à ordem maçônica, segundo documento divulgado ontem com a informação da proposta que a OAB pretende levar para o colégio dos presidentes seccionais.

Independente da decisão, fica caracterizada a boa iniciativa da entidade, a mais expressiva representação do classe. Agora, o que avulta mesmo é a incompatibilidade entre aquilo que a OAB entende por punição quando se trata da autoridade judicial.

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