Quando a WEB se torna inimiga da produção
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O uso da internet no local de trabalho é cada vez mais comum. Em muitos segmentos trata-se de uma ferramenta de trabalho indispensável, em outros, converte-se num meio de comunicação eficiente e barato. Se por um lado essa prática facilita a vida dos funcionários, por outro pode trazer prejuízos para as empresas, quando seus colaboradores passam muito tempo navegando em páginas de entretenimento ou quando esses acessos abrem as portas da empresa para vírus de computador e programas espiões que colocam em risco a segurança das informações.
Uma pesquisa realizada esse ano pela empresa Websense em diversos países da América Latina avaliou os hábitos de uso da internet no ambiente de trabalho. Constatou-se que 95% dos funcionários entrevistados utilizam os computadores da empresa para navegar em sites que não têm nenhuma relação com sua atividade profissional. Dentre as páginas mais visitadas estão bancos e finanças (77%), notícias, páginas governamentais e e-mail pessoal (75%).
Na opinião do gerente de produção em Tecnologia da Informação (TI) da GVT, Luiz Ruffino, é preciso flexibilidade para realizar o controle de acesso. ''Como é uma empresa de tecnologia de ponta não dá para restringir o acesso, mas restringir o conteúdo'', avalia. Segundo ele, ''70% dos sites são liberados''. Os mais acessados pelos funcionários são os portais de notícias.
Durante o horário de almoço, o acesso a sites de entretenimento é liberado. ''A idéia geral é criar um ambiente aberto dentro de uma consciência produtiva'', afirma Ruffino.
A estagiária de planejamento Lívia Grinberg, 18 anos, aprova essa política. Estudante de Publicidade, ela conta que já utilizou a internet da empresa para fazer trabalhos acadêmicos. ''Nada que me atrapalhe'', diz.
Segundo o gerente de TI, o funcionário pode até navegar por um longo tempo, desde que dê conta de seu trabalho diário. Entre a perda da produtividade e o risco de contaminação, o que mais preocupa Ruffino é o segundo fator. ''Se a rede for contaminada, a produtividade consequentemente vai cair'', avalia.
Outra preocupação registrada na pesquisa é a fuga de informações confidenciais. Esse fato preocupa 82% dos gerentes de TI das empresas pesquisadas. Em 2008, 40% dos funcionários admitiram ter enviado algum e-mail com informações da empresa para um endereço de e-mail equivocado.
Para impedir a fuga dessas informações a telefônica não equipa seus computadores com gravadores de CD e poucos têm acesso a pen-drives. A Copel também tenta impedir essa prática monitorando o tráfego de informações dos funcionários através do e-mail.
Punição
Se a empresa tiver regras claras quanto ao uso da internet, proibindo o acesso a sites estranhos à rotina do trabalho, o empregado pode ser penalizado. É o que explica o advogado Christan Schramm Jorge.
''O funcionário pode receber advertência e, dependendo do conteúdo, como pornografia, a consequência pode ser mais grave, como demissão por justa causa'', afirma. Ele também chama a atenção para o uso indevido do e-mail profissional, o que também pode causar demissão por justa causa. E alerta que o monitoramento não constitui violação.


