Pobre Brasil que não tem homens com reputação suficiente à testa de grandes instituições públicas, como o Banco Central, a ponto de o presidente da República ter de valer-se de medida casuística para livrá-los de inquéritos e assim mantê-los na função. Foi o que fez o presidente Lula ao converter Henrique Meirelles em ministro para, dessa forma, dar-lhe blindagem constitucional e protegê-lo de inquérito do Ministério Público face às denúncias de sonegação fiscal e remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Estas as acusações que pesam contra o presidente do BC, no momento a bola da vez no noticiário, entre homens do governo, por denúncias de crimes contra o erário. Agora ministro, qualquer ação contra ele só pode ser aberta pelo procurador-geral da República. A medida deve ter sido sugerida pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pois foi ele quem disse ao presidente que uma invasão da Polícia Federal no Banco Central fato que aconteceu na Caixa Econômica quinta-feira passada ''arrebentaria com a economia''. Essa possibilidade é inverossímel, porque, em escândalo, Meirelles já está envolvido e nem por isso ocorreu alguma desestabilização da economia. Numa nação acostumada a abalos políticos e em envolvimento de homens públicos com a corrupção, a intervenção do Ministério Público no Banco Central apenas robusteceria a descrença já reinante contra o governo ora instalado na República. A repercussão seria idêntica a uma eventual substituição do atual presidente do BC por outro, ou seja, um acontecimento sem maiores consequências. Neste Brasil que já cassou um presidente e permaneceu inabalável, sem tremor na estabilidade das instituições pelo contrário, fortalecendo-as, pelo próprio evento não haveria necessidade da vergonhosa medida ora adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela simples denúncia inicial, contra Meirelles, Lula já deveria tê-lo afastado. O ato presidencial que o fez ministro é um escândalo, de repercussão mais negativa do que trocar de presidente do Banco, e arranha a imagem do presidente Lula, que não teve pulso para tirar Meirelles de cena desde o início, bastando o ato simples de substituí-lo. Se perdeu ao não tomar essa medida, perde muito mais agora com o inusitado casuísmo de transformar o homem em ministro.

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