Quando a 'notícia' é uma farsa
Vivemos o apogeu das fake news numa tal proporção que, a partir das notícias falsas que circulam diariamente, criou-se também o conceito de "pós-verdade", como exemplo de uma época em que as versões parecem valer mais que os fatos.
O fenômeno é mundial, mas no Brasil - com um número cada vez maior de pessoas que acessam a internet e participam das redes sociais - boatos, fofocas ou mesmo pegadinhas tornam-se frequentes. Não há um só dia que não circule uma mentira embalada como verdade.
Tendo em vista que muitas pessoas acreditam em tudo o que leem, sem checar as fontes, a credibilidade passa ao léu das redes, chamando a atenção para o fato de que, como apontam as pesquisas, os veículos tradicionais ainda suscitam mais confiança do que tudo o que se lê no meio digital, onde todos podem ser "repórteres", sem o mesmo cuidado dos profissionais que assinam seus textos e têm que responder pelo seu conteúdo.
Isso não significa que as mídias digitais não sejam merecedoras de credibilidade, quando feitas por profissionais da notícia ou especialistas de áreas específicas que podem perfeitamente divulgar seu conhecimento valendo-se de um meio universal que pode colocar no Brasil, em tempo real, o que está acontecendo agora mesmo na China.
O problema é quando pessoas sem idoneidade, responsabilidade ou conhecimento criam e divulgam fatos pela metade, compartilham apenas manchetes sensacionalistas, sem ler a matéria até o fim, ou caem no conto da notícia velha ou do fato ultrapassado.
O Brasil tem um elenco de notícias falsas bastante conhecido que vai desde a ideia de que uma fábrica nacional moía pombas junto com a cevada para fazer cerveja, até a informação de que a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, havia sido casada com o traficante Marcinho VP.
Em temporada pré-eleitoral, a guerra de notícias falsas tende a crescer, com blogs e sites de políticos e partidos investindo pesado no vale-tudo, como é de praxe desde o tempo que não existia internet.
Falar mal do adversário político, manchando sua reputação ou deturpando sua ética, era comum no tempo em que textos apócrifos eram distribuídos na calada da noite de modo a colocar um candidato em maus lençóis perante a opinião pública.
A prática hoje chega com nova embalagem em blogs e sites cujos responsáveis, em campanha, não medem palavras para atacar o "inimigo." A verborragia maldosa, e muitas vezes anônima, sempre foi uma arma que vai muito além dos discursos polidos que os candidatos levam para jornais, rádios e TVs expondo-se a leitores e espectadores atentos que questionam conversas fiadas.
Com a tecnologia que tem o dom da simultaneidade e também da duração efêmera na internet criam-se e apagam-se posts na mesma velocidade fica mais fácil criar o conto e fabricar os pontos, numa espécie de telefone sem fio dos compartilhamentos da rede social. Quando se vê, Zeca Pagodinho já morreu, Tiririca foi ameaçado e um projeto de lei traz a exigência de se usar uniforme unissex nas escolas públicas. Tudo mentira, claro, que circula por aí com a força da verdade.
Em período eleitoral, todo cuidado é pouco para separar o blefe do fato e a verdade da versão. Uma regra é desconfiar sempre de notícias revestidas de sensacionalismo e checar as fontes para não engrossar as fake news, também chamadas de e-farsa.





