Quando a Justiça Eleitoral também falha
A recente confissão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Velloso, e do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Humberto de Barros, admitindo falhas também da Justiça no exame de contas das campanhas eleitorais, remete para a constatação de fragilidade do sistema eleitoral brasileiro. Apenas uma reforma política não basta se instituições como a própria Justiça Eleitoral afirmam ter sido tolerantes com erros cometidos pelos candidatos. Foi preciso, então, explodirem os escândalos dos últimos meses para também a Justiça tomar a decisão conforme Velloso anunciou de mudar seu comportamento no controle dessas contas e não mais fazer ressalvas e ir tolerando. Pela revelação do presidente do TSE, ninguém (na esfera daquelas altas cortes) levava muito a sério essas contas, por haver confiança nos partidos. Um excesso de crença na honestidade dessas agremiações e que, já se viu, era um julgamento falho. Acusar a Justiça de ingenuidade, no caso, não deve merecer castigo, mas é certo que a opinião pública pode ter ficado desconcertada. Porque, se não deposita grande confiança nas instituições governamentais, ainda vê no Poder Judiciário um bastião de segurança. É difícil para o cidadão aceitar a afirmação do magistrado de que ''foi preciso que houvesse essa crise'' para a decisão judicial de aplicar mais rigor, doravante, na análise das contas partidárias. Não se esperava que, no âmbito de tão altos poderes, fossem necessárias tais razões motivadoras. De qualquer modo, louva constatar que, depois da erupção das denúncias da qual o deputado federal ora cassado, Roberto Jefferson, foi o grande detonador já aconteceram renúncias de parlamentares, cassações, abertura de investigações e, agora, o anúncio de que também a Justiça Eleitoral tira proveito positivo e vai implantar linha dura no exame dos negócios políticos leia-se especialmente a legalidade da entrada de verbas de campanha. Tivesse esse rigor acontecido sistematicamente, muitos escândalos teriam sido evitados e os políticos não teriam se valido de tantas facilidades. Por estas e por outras, algo deve mudar para melhor já na eleição do ano que vem. No momento, a população aguarda que novas cassações aconteçam, ou no mínimo mais renúncias, porque se este último recurso é um expediente de oportunismo ao menos não dá garantia de retorno ao poder. Eliminando-se os elementos desagregadores, uma purificação se operará pela própria ausência deles, e haverá menos risco de contágio, porque eles são astutos em corromper os já propensos, por isso capazes de grandes estragos.





