''Quando a injustiça é grande, a ira é santa''
O escritor e jornalista Domingos Pellegrini afirma não ter pavio curto. Mas Dinho, como é conhecido, já atirou telefone contra a parede e pôde contemplar o vôo das teclas pelo chão. Em outra ocasião a ''vítima'' foi uma máquina de escrever. Nas duas situações, a paciência foi posta à prova pela burocracia no atendimento. ''Se o brasileiro tivesse pavio curto as coisas andariam melhor'', ele comenta.
Mas um episódio que conseguiu tirar o jornalista do sério foi a poluição sonora no Calçadão. Durante dois anos Dinho tentou se ver livre dos grupos que aos sábados e domingos de manhã se concentravam no local. ''Estudos mostram que 30% da população é sensível à poluição sonora e destes 5% são hipersensíveis'', diz o escritor, que não tolera barulho.
Foram inúmeros abaixo-assinados, ligações para a polícia, para a promotoria, documentos para igrejas e sindicatos. ''Há polícia para tudo menos para combater a poluição sonora'', critica o escritor. Ele acha que teve muita paciência com os ruidosos. ''Quando a injustiça é muito grande, a ira é santa'', afirma.
Em dezembro de 1996 o jornalista encontrou uma solução para o problema: mudou-se para uma chácara onde encontrou a paz. ''Quando o abuso é muito e você espera muito, o abusador se acha no direito de abusar'', diz ele, distante dos barulhentos.





