Dois dos pontos-chave para a sobrevivência profissional nestes tempos de globalização são a expansão tecnológica e o aprimoramento da mão-de-obra. Este debate é de ordem prática e não deixa muitas alternativas.
De um lado, temos um Brasil com 74 milhões de trabalhadores com menos de quatro anos de estudo e cerca de 20% de analfabetos, sendo que 80% desta população está situada na faixa etária de 15 a 30 anos, na plenitude da sua força de trabalho.
De outro lado, temos a educação profissional na pauta diária da mídia. Desemprego, pobreza, competitividade, qualidade, globalização, cidadania - são temas que remetem à necessidade urgente de melhorar a qualificação do trabalhador.
Diante deste quadro, tivemos na entrada dos anos 80 no Brasil a intensificação das mudanças tecnológicas e a reestruturação produtiva. Isso iniciou um processo de integração econômica que começou a pressionar para a redução de custos, melhoria da qualidade de produtos e serviços, para os ganhos concretos de competitividade. Isso mudou o cenário empresarial, como mudou também o emprego.
A feição do emprego impõe, na década de 90, novo conceito: ‘‘empregabilidade’’, ou seja, o conjunto de conhecimentos, habilidades, comportamentos e relações que possibilitem um profissional necessário não apenas para uma, mas para toda e qualquer organização. Isso requer três componentes básicos: competência profissional, disposição de aprender e capacidade de empreender.
Entende-se competência profissional por uma questão de aprendizado formal e experiência. Ela deve ser permanentemente construída, aprimorada e renovada. Além disso, deve-se empreender, não apenas no sentido restrito de um próprio negócio, mas também na acepção de localizar-se e empreender-se a si próprio.
A construção desse perfil é o grande desafio da educação profissional, que se coloca hoje nas relações de trabalho.
No antigo paradigma, a educação profissional só podia ser pensada como evento único, de longa duração, suficiente para se entrar no mercado ou obter um posto de trabalho. No novo contexto, a educação profissional é necessariamente complementar à educação básica, pensada em bases contínuas e permanentes, possibilitando ao trabalhador a chance de múltiplas entradas e saídas de educação profissional, qualificando-se ou requalificando-se durante toda a sua vida produtiva.
A demanda de empregos é demanda por pessoas com maior escolaridade. A pessoa sem escolaridade é incapaz de utilizar conhecimentos instrumentais e de conteúdos exigidos pela modernidade. A escolaridade e a competência para o trabalho sempre foram condições para o acesso de empregos. Hoje, no entanto, em virtude da revolução produtiva provocada pela tecnologia escasseiam as ofertas de empregos e exige-se maior qualificação dos aspirantes aos poucos postos de trabalho.
As constantes mudanças nos processos produtivos, por sua vez, exigem a contínua qualificação e atualização do trabalhador.
Devemos identificar o reconhecimento da centralidade da educação não apenas para o desenvolvimento sócio-econômico em geral, mas para a determinação da posição relativa dos países num momento de reinserção e realinhamento no cenário internacional. Isso ocorre quando tem lugar um profundo reordenamento social das profissões e mudança do perfil de qualificação da força de trabalho. Estamos frente a uma redefinição dos requisitivos e das características que marcam a educação oferecida no final no milênio e, em conexão, uma nova maneira de enfocar a formação profissional em todos os níveis.
Para enfrentar este grande desafio, temos o Plano Estadual de Qualificação, gerenciado pela Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do Tesouro do Estado. Trata-se de uma das estratégias do governo Jaime Lerner para enfrentar essa questão tão difícil e de tamanha importância para todos nós. O Plano será uma de nossas bandeiras a ser levada aos quatro cantos do Paraná, procurando atender com urgência ao anseio de progresso de nossos irmãos paranaenses.

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